O QUE OS ADVOGADOS QUEREM DA OAB
Autor: Carlos Nina
Data: 06.08.2009
A OAB,
criada para disciplinar os advogados, tornou-se, ao longo do tempo, um
instrumento de defesa da cidadania, dos direitos humanos, do Estado democrático
de Direito. Atualmente, porém, serve aos interesses de uns poucos, à custa da
maioria, que paga, com sacrifício, anuidades exorbitantes e taxas de serviços
absurdas.
Assim, com recursos dos advogados, seus dirigentes promovem eventos
supostamente para os advogados, quando, na verdade, visam beneficiar seus
candidatos à presidência da entidade, através de explícita propaganda onerosa,
enganosa, repetida a cada entrega de carteira aos novos inscritos, aos quais
não são reveladas as mazelas por eles protagonizadas, esmerando-se em discursos
falaciosos, transbordantes de falsidade, vaidade e prepotência.
Se os dirigentes da Ordem tivessem um mínimo de respeito diriam aos advogados
quanto é a receita da entidade e de onde ela provém. Diriam qual o destino dado
a essa receita; quanto os dirigentes da Ordem e da Caixa de Assistência dos
Advogados gastaram com passagens aéreas e diárias; quem foram os beneficiários,
para onde foram e com que finalidade.
DEFENSORIA PÚBLICA
Diriam por que e quanto a OAB recebe de convênios com Estados para substituir a
atividade da defensoria pública, que é cargo para o qual deveriam ser
realizados concursos públicos para suprir a demanda dos necessitados. E
admitiriam que é por isso que a entidade se cala e não exige do Poder Público o
cumprimento de um dever constitucional que a Ordem deveria defender, como manda
o inciso I do art. 44 de seu Estatuto.
Diriam por que, mesmo tendo o dever legal de defender os direitos humanos, a
justiça social e a boa aplicação das leis, silenciam diante da violação
escancarada e diária das leis de execução penal e de proteção à criança e ao
adolescente.
Diriam qual o crédito da Caixa de Assistência dos Advogados junto à OAB nos
anos de seu mandato, quanto a OAB deve à Caixa e por que a Caixa não cobra seu
crédito da OAB; por que e quanto a Caixa de Assistência dos Advogados “paga” à
OAB supostamente de aluguel; quantas outras instituições ocupam espaço dentro
da OAB e quanto pagam ou por que não pagam; se não pagam, por que a Caixa tem
de pagar? Diriam se as contas da Caixa de Assistência dos Advogados foram
aprovadas ou rejeitadas.
JÁMENES CALADO
Diriam por que o advogado Jámenes Calado, que sofreu um infarto no Forum do
Calhau, a menos de 2 minutos da OAB e da Caixa de Assistência dos Advogados,
foi deixado por ambas as instituições deitado no chão daquele Forum, por mais
de quarenta minutos, mesmo havendo um Hospital a menos de 3 minutos daquele
local, em linha reta, no mesmo sentido.
Diriam por que o advogado Frutuoso Sobrinho, que prestou durante anos, no
interior do Estado, relevantes serviços à advocacia, morreu completamente
desassistido por ambas as instituições.
CORRUPÇÃO ELEITORAL
Situações essas que são verdadeiro contraste com a propaganda rica, acintosa e
luxuosa de seus candidatos. Propaganda não raro pretensiosa e transbordante de
ofensiva vaidade, ao se apresentarem como advogados por excelência, querendo
fazer crer que os demais advogados, por não terem escritórios monopolizando
rica clientela, ou não usarem nenhum órgão da OAB ou da Caixa de Assistência
para promoção pessoal, tráfico de influência ou captação de clientela, ou não
verem nem pretenderem usar a Ordem como trampolim político partidário para
alimentar projetos eleitorais autoritários, não são advogados que mereçam
respeito. E os subestimam, tratando-os como eleitores desinformados, fáceis de
serem cooptados com discursos falaciosos, cafés da manhã, almoços, feijoadas e
outras quermesses, além de promessas de maravilhas inviáveis e facilidades para
pagar anuidades, quando, em vez disso, deveriam explicar por que só os
candidatos da situação - da OAB, da Caixa de Assistência dos Advogados e da
Escola da Advocacia - dispõem dos endereços e e-mails dos advogados para lhes
enviar sua propaganda, enquanto ao único candidato da oposição, o advogado
Isaac Dias Filho, não é assegurada a mesma facilidade.
UNIDOS PELO CONTINUISMO
Mas não dirão nada, esconderão a realidade, para manter-se no poder da
entidade, num continuísmo pernicioso que não serve nem à sociedade nem à
maioria dos advogados, que continuarão lutando, sozinhos, contra a falta de
condições de igualdade para disputar o mercado; o descaso, o autoritarismo e a
prepotência de autoridades públicas que não respeitam as prerrogativas dos
advogados, aos quais não é amplamente assegurado sequer o direito de
atendimento no horário normal previsto em lei ou um simples estacionamento para
os que dispõem de veículo próprio.
COMPROMISSOS DE ISAAC DIAS
É preciso mudar essa realidade e isso só será possível rompendo com esse
continuísmo. A decisão está com a maioria dos advogados. Unidos, serão mais
fortes do que aqueles que se acham os donos da OAB. Aliás, já estão com medo
dessa maioria e lançaram três candidatos para tentar inviabilizar a oposição,
representada por Isaac Dias Filho, que, nas diretrizes do projeto que tem para
a OAB - Integração, Participação e Transparência -, já assumiu o compromisso de
proibir que a clientela que procura a OAB em busca da indicação de advogados
seja encaminhada para seus dirigentes, conselheiros ou membros de qualquer de
seus órgãos, inclusive Caixa de Assistência. A escolha das listas sêxtuplas
para os tribunais será feita em assembléia geral dos advogados e não em sala
fechada pelos conselheiros. Exigirá concursos públicos e salários decentes para
defensores públicos e cargos privativos de advogados, até o efetivo atendimento
da demanda da sociedade. Criará instrumentos para assegurar que todos os
advogados, onde estiverem, no exercício da advocacia, terão assistência da
Instituição para verem respeitadas suas prerrogativas.
Para assegurar Integração, Participação e Transparência, para todos os
advogados, basta, apenas, que sua maioria assim decida.
Mudar essa realidade para fazer renascer a Instituição, era o ideal de Jámenes
Calado e é o que querem os advogados que defendem a independência da OAB.
Carlos Nina, advogado
• Secretário da OAB/MA (1983/1985)
• Presidente da OAB/MA (1985/1989)
• Conselheiro Federal da OAB (1998/2003)
• Membro fundador do Instituto dos Advogados do Maranhão
• Membro Fundador da Academia Maranhense de Letras Jurídicas
• Membro efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros
Fonte: http://www.tribunadacidadania.com.br/artigos.php?rowId=41