O EXAME DE ORDEM DOS MÉDICOS

 

Ismair Junior Couto

MNBD . Coordenador de Assuntos Legislativos

Funcionário Público Federal

Especialista em Direito Aplicado pela Escola da Magistratura do PR

 

 

 

http://www.portalaz.com.br/noticias/educacao/97025_mec_vai_preparar_novas_regras_para_cursos_de_medicina.html

 

http://www.advsaude.com.br/noticias.php?local=1&nid=1743

 

 

Se você for detentor de poder, ocupar uma pasta no Executivo Federal, e o caos estiver à sua porta, então identifique e mande prender os inocentes mais próximos.

 

É assim que vêm funcionando as coisas. As prisões estão cheias de ladrões de galinha e daqueles que cortaram os galhos de uma árvore protegida por Lei. Os sanguessugas, os mensalistas, os portadores de dinheiro na cueca, e os que criminosamente desmatam a amazônia, para não ser exaustivo, estão por aí. Bem provável que estejam dividindo contigo uma das fileiras de assentos do avião.

 

O que têm de comum os links acima e o parágrafo anterior? Falam de problemas concêntricos, ou seja, colocam o "macaco" nas costas dos outros, especialmente dos mais fracos.

 

O Ministério de Educação e Cultura, ao invés de usar de sua autoridade e cancelar a outorga para o funcionamento de cursos superiores de medicina, sabidamente fracos, prefere, segundo noticias, afetar a vida dos acadêmicos, permitindo que venha a ser instituído o "Exame de Ordem" para os médicos. Aliás, para os Bacharéis, eis que só serão médicos depois de aprovados.

 

Qualquer de inteligência mediana, portanto, medíocre, sabe que a concessão para o funcionamento de uma faculdade, especialmente de Direito e Medicina, envolve "gente graúda", seja do lado de quem a requer, seja do lado de quem a concede. Cancelar um curso superior desses, ainda que ele funcione nas instalações do cinema da cidade e depois da última sessão cinematográfica, deve render ao Presidente da República boa dose de aborrecimentos, para não adentrar na seara da perda de votos.

 

Por isso, melhor mesmo é aferir o conhecimento dos acadêmicos.

 

Para o Movimento Nacional dos Bacharéis em Direito, particularmente a mim, esse tipo de notícia causa uma alegria e uma tristeza. A alegria que me toma conta está fundada no fato de que, de um lado, talvez os médicos sejam mais unidos e preocupados com seus bacharéis que os advogados, e todo esse inconveniente pode ser dizimado.

 

De outro, não serão mais os bacharéis em Direito um caso isolado no Brasil, vistos com certo ar de "limitados" pelos amigos e familiares. É bem possível que esse grupo de egressos do curso jurídico venha a ter a companhia dos bacharéis em medicina, ou bacharéis de "sei lá o quê".

 

A tristeza que me vem ao coração é o fato de saber que muita família honesta e íntegra investe o que tem e o que não tem na formação desses cursos superiores, que a bem da verdade, vêm se aproximando, dada a banalização que sofrem, de uma formação em curso de nível médio. Essas famílias e esses acadêmicos só precisam ser informados de que quando terminarem é que estarão começando.

 

Já comentei em artigo anterior, mas aproveito para superficialmente repisar sobre a responsabilidade dessas Instituições de Ensino Superior. Quietas e omissas, estão passando à margem de todo esse processo. Elas usam da mídia impressa e televisionada para vender o que não existe. E por propaganda enganosa, deveriam ser responsabilizadas.

 

A cada exame de ordem as editoras esgotam boa parte de suas publicações. Em Curitiba, no último exame de ordem, os operadores do Direito do Trabalho tiveram dificuldades de encontrar uma simples CLT da LTr, um livro de Súmulas Comentadas, eis que os examinandos limparam as prateleiras. Talvez tenha chegado a hora de aquecer o mercado das obras médicas, de mais cursos preparatórios etc.

 

Para o MNBD: está ruim, mas está bom, ou está bom, mas está ruim?