O EXAME DE ORDEM DOS MÉDICOS
Ismair Junior Couto
MNBD .
Coordenador de Assuntos Legislativos
Funcionário
Público Federal
Especialista em
Direito Aplicado pela Escola da Magistratura do PR
http://www.advsaude.com.br/noticias.php?local=1&nid=1743
Se você for
detentor de poder, ocupar uma pasta no Executivo Federal, e o
caos estiver à sua porta, então identifique e mande prender os inocentes
mais próximos.
É assim que vêm
funcionando as coisas. As prisões estão cheias de ladrões de galinha e daqueles
que cortaram os galhos de uma árvore protegida por Lei. Os sanguessugas, os
mensalistas, os portadores de dinheiro na cueca, e os que criminosamente
desmatam a amazônia, para não
ser exaustivo, estão por aí. Bem provável que estejam
dividindo contigo uma das fileiras de assentos do avião.
O que têm de
comum os links acima e o parágrafo anterior? Falam de
problemas concêntricos, ou seja, colocam o "macaco" nas costas dos
outros, especialmente dos mais fracos.
O Ministério de
Educação e Cultura, ao invés de usar de sua autoridade e cancelar a outorga
para o funcionamento de cursos superiores de medicina, sabidamente fracos,
prefere, segundo noticias, afetar a vida dos acadêmicos, permitindo que venha a
ser instituído o "Exame de Ordem" para os médicos. Aliás, para os
Bacharéis, eis que só serão médicos depois de aprovados.
Qualquer de
inteligência mediana, portanto, medíocre, sabe que a concessão para o
funcionamento de uma faculdade, especialmente de Direito e Medicina, envolve
"gente graúda", seja do lado de quem a requer, seja do lado de quem a
concede. Cancelar um curso superior desses, ainda que ele funcione nas
instalações do cinema da cidade e depois da última sessão cinematográfica, deve
render ao Presidente da República boa dose de aborrecimentos, para não adentrar
na seara da perda de votos.
Por isso, melhor
mesmo é aferir o conhecimento dos acadêmicos.
Para o Movimento
Nacional dos Bacharéis em Direito, particularmente a mim, esse tipo de notícia
causa uma alegria e uma tristeza. A alegria que me toma conta está fundada no
fato de que, de um lado, talvez os médicos sejam mais unidos e preocupados com
seus bacharéis que os advogados, e todo esse inconveniente pode ser dizimado.
De outro, não
serão mais os bacharéis em Direito um caso isolado no Brasil, vistos com certo
ar de "limitados" pelos amigos e familiares. É bem possível que esse
grupo de egressos do curso jurídico venha a ter a companhia dos bacharéis em medicina,
ou bacharéis de "sei lá o quê".
A tristeza que
me vem ao coração é o fato de saber que muita família honesta e íntegra investe
o que tem e o que não tem na formação desses cursos superiores, que a bem da
verdade, vêm se aproximando, dada a banalização que
sofrem, de uma formação em curso de nível médio. Essas famílias e esses
acadêmicos só precisam ser informados de que quando terminarem é que estarão
começando.
Já comentei em
artigo anterior, mas aproveito para superficialmente repisar sobre a
responsabilidade dessas Instituições de Ensino Superior. Quietas e omissas,
estão passando à margem de todo esse processo. Elas usam da mídia impressa e
televisionada para vender o que não existe. E por propaganda enganosa, deveriam
ser responsabilizadas.
A cada exame de
ordem as editoras esgotam boa parte de suas
publicações. Em Curitiba, no último exame de ordem, os operadores do Direito do
Trabalho tiveram dificuldades de encontrar uma simples CLT da LTr, um livro de Súmulas
Comentadas, eis que os examinandos limparam as
prateleiras. Talvez tenha chegado a hora de aquecer o
mercado das obras médicas, de mais cursos preparatórios etc.
Para o MNBD:
está ruim, mas está bom, ou está bom, mas está ruim?