O CLAMOR DOS EXCLUÍDOS
Recebi de Uberlândia (MG), este texto da colega
Luciana, que fala em nome dos 4,5 milhões de bacharéis excluídos do mercado de
trabalho pelo inconstitucional exame da oab.
17.04.2010
Desde a instituição do
Exame de Ordem foi sendo propagada na sociedade, especialmente pela OAB, a
crença de que todo bacharel reprovado nessa prova é incompetente para advogar.
E, uma vez reprovado, é visto e tratado com indiferença, humilhação etc., até
mesmo no âmbito familiar.
Estamos indignados ao observar que praticamente a
totalidade dos bacharéis são reprovados no Exame de Ordem, contudo, parte
ínfima desses mobiliza-se expressamente com o intuito da extinção do Exame em
epígrafe.
Tal realidade é inerente à maioria das criaturas
humanas, qual seja, a de que, diante de um inconformismo, não reagem
proporcionalmente aos prejuízos que sofrem ou estão com a possibilidade de
sofrerem. Mas isso não quer dizer que sejam a favor da manutenção daquele
Exame.
Conhecemos colegas
dedicados que, há dois anos, tentam passar nessa malsinada prova, e estão super
revoltados com isso; afinal, foram cinco anos de gastos, trabalho e dedicação
etc., e o retorno positivo de todo esse esforço está obstaculizado. Inúmeros já
estão à beira do ''abismo'', mergulhados em profunda depressão, já perderam a
esperança, cansaram de experimentar desgostos, de enxergarem iniqüidades
prevalecendo. Ouvimos notícias de que, com a descoberta da reprovação, um
bacharel em Direito suicidou-se por não ter suportado o constrangimento, o vexame
e a humilhação. Há os desconhecedores da existência desse Movimento, vez que é
mais divulgado pela Internet.
Há milhões de
inconformados com o status quo, todavia, poucos têm coragem de abraçar a causa
e lutar/protestar pela transformação. Cada bacharel prejudicado tem uma razão
particular para se abster de aderir expressamente ao MNBD, destarte, não
divulgam os seus nomes e outros dados cruciais para a sua fiel localização;
mas, na maioria dos casos, isso advém do fato de temerem ainda mais discriminação,
represálias e uma postura agressiva por parte da OAB e das pessoas e setores a
ela ligados. Afinal, é notório na história de nosso país o quanto os detentores
do poder e do dinheiro têm o condão de propiciar que os seus anseios
preponderem, mesmo se eivados de imoralidade, inconstitucionalidade etc. E
ainda, com discursos inócuos, despidos de consistência jurídica, convencem e
persuadem muitas pessoas.
Parcela considerável dos
bacharéis aprovados no Exame de Ordem argumentam em prol da sua permanência,
visto que aspiram pela reserva do mercado, menos concorrência... E sentem-se
aliviados e orgulhosos por terem passado, muito embora a nota obtida não seja
tão digna de aplausos, uma vez que, literalmente, passam raspando, quase que
acertam menos que 50% das questões. E aí, têm o atrevimento de debochar dos
reprovados, proferindo piadinhas de mau gosto.
O Ministro Marco Aurélio
idealizou a solução mais justa e serena a esse caso, e detalhe: COM AMPARO
LEGAL. O STF reconheceu a repercussão geral no RE 603583. A votação foi
unânime. É patente a inconstitucionalidade formal e material da aplicação do
Exame de Ordem. A Carta Magna proclama, em várias partes do texto, a concepção
de um mercado que valorize o trabalho e a livre concorrência.
Firma-se com propriedade o
dever de investigar e fiscalizar a OAB, e, além de tudo, impor LIMITES à sua
atuação, porque tal autarquia sui generis transformou-se num quarto poder que
usurpa funções que não lhe competem e parece querer dominar o Brasil.
A verdade é que há desqualificados
que passam na prova e qualificados que não passam. Há bons e maus estudantes em
todas as áreas do conhecimento.
Fundamental é que não se
faça generalizações. O que define a capacidade e o futuro do profissional não é
a prova, mas o mercado de trabalho. Se o Exame realmente medisse a competência,
não teria sentido a existência do Art. 34 da Lei 8906/96, entre eles, o inciso
XXIV, trazendo à baila que a incidência em erros reiterados que evidenciem
inépcia profissional constitui uma das infrações disciplinares.
O MNBD precisa conquistar
destaque na mídia, ter um momento do dia para a permissão de que os seus ideais
sejam amplamente divulgados na TV. Especialmente a população incauta precisa
tomar o conhecimento do real drama de milhões de bacharéis em Direito.
Por força do PLS 43/2009,
de autoria do Senador Marcelo Crivella, uma ala de políticos de nosso país tem
discutido acerca da possibilidade da extensão de uma prova, após o término,
para os demais cursos, não só para o Direito. Porém, caso sistematize, seria
equivalente a dar um tiro no pé, pois, provavelmente, haverá uma grande número
de desempregados, vez que impossibilitados de trabalhar enquanto não passam no
certame... E aí vai um, dois, três anos de reprovação, não se sabe, rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs.
Logicamente, o caos
generalizado tomaria conta dos quatro cantos do país, e como esse EXÉRCITO DE
DESEMPREGADOS irá sobreviver até lá?
E a tendência seria a de adotar
uma postura semelhante à da OAB, qual seja, a de aplicar uma prova dotada de
questões cada vez mais complexas, confusas, cheias de pegadinhas, pura
decoreba, que não medem conhecimento algum, além de planejarem o aumento dos
valores das taxas de inscrições, constantes fraudes, uma explosão de cursinhos
preparatórios, e uma ‘’quadrilha’’ nos bastidores, que, dentre outras atitudes,
favoreceria que os “amigos do rei’’ passem, malgrado a não obtenção da
pontuação necessária para aprovação.
Caso, por um absurdo, não
logrem êxito os projetos e a proposta de emenda constitucional que disciplinam
a temática da Extinção do Exame de Ordem, que pelo menos, então, obstem a
vigência do Provimento nº 136/2009, e, nesse espeque, ganhe vida apenas o
Provimento nº 109/2005, e, paralelamente, a devolução, pela OAB, da taxa de
inscrição aos bacharéis reprovados, bem como a criação da BOLSA-BACHAREL, para
que a OAB e o Estado custeiem, todo mês, com pelo menos um salário mínimo, o
bacharel reprovado, enquanto não passar na prova. Nada mais que justo, afinal,
por culpa da OAB ele está desempregado, e não tem como sobreviver de maneira
independente e digna...
A votação estava prevista
para acontecer no início deste mês de março, todavia, o senador Marconi Perillo
a impediu.
Socorro, Socorro, Socorro,
Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro,
Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro,
Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro,
Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro,
Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro,
Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro,
Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Socorro,
Socorro, Socorro, Socorro, Socorro, Sooooooocoooorroooooooooooooooo...
Caso a PEC 001/2010 seja
pisoteada em votação dos senadores, e, conseqüentemente, não ocorra a extinção
do Exame de Ordem, logo, haverá a ascensão do PLS 43/2009, prevendo Exame de
Ordem para todas as categorias profissionais que necessitem de formação
superior.
Se não forem sensíveis aos
nossos apelos e o Provimento nº 109/2005 ganhar corpo, haverá a necessidade de
convocar todos os bacharéis e advogados para se submeterem a esse novo certame,
já que a OAB alega que o mercado necessita de um profissional que passe pelo
crivo desse novo Provimento. E que os profissionais que já estejam no mercado
também se submetam ao Exame instituído em outras disciplinas.
Conclui-se, também, que se
o Exame de Proficiência viger em todos os cursos, logo, como medida da mais
lídima justiça, deveria ser aplicado aos políticos brasileiros, de forma que a
possibilidade para se candidatarem dependeria da aprovação em prova, como
critério para aferição de sua competência para politicar. Tal prova versaria,
basicamente, sobre as seguintes disciplinas: Direito Constitucional, Direito
Eleitoral, Direito Internacional, Direitos Humanos, Relações Internacionais,
Conhecimentos Gerais do Direito, Informática, Ciência Política, Economia,
Português, História, Sociologia, Filosofia, Conhecimentos Gerais, Geografia,
Matemática, Comércio Exterior, Teoria Geral do Estado.
Se a maioria dos senadores
atuar de modo a desprestigiar decisões constitucionais e contrariar o bem
comum, em realidade, estarão transformando o Congresso Nacional em um Balcão de
Negócios. Se decidirem favoráveis à permanência do Exame de Ordem, então, o
mais lógico seria que tal decisão fosse revogada pelo STF.
Tenham a plena convicção de que MILHÕES
de estudantes e bacharéis em Direito do Brasil estão torcendo pelos sucessos do
projeto de lei e da proposta de emenda constitucional que definem pelo FIM DA
PROVA DA OAB!
‘‘De
tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver
crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser
honesto. (Rui Barbosa). ’’
‘‘Eu
não troco a justiça pela soberba. Eu não deixo o direito pela força. Eu não
esqueço a fraternidade pela tolerância. Eu não substituo a fé pela superstição,
a realidade pelo ídolo. (Rui Barbosa). ’’