O BRASIL NUNCA PERTENCEU AOS ÍNDIOS
Sandra Cavalcanti
06.05.2008
"Quem quiser
se escandalizar, que se escandalize. Quero proclamar, do fundo da alma, que
sinto muito orgulho de ser brasileira. Não posso aceitar a tese de que nada
tenho a comemorar nestes quinhentos anos. Não agüento mais a impostura dessas
suspeitíssimas ONGs
estrangeiras, dessa ala atrasada da CNBB e dessas derrotadas lideranças
nacional-socialista s que estão fazendo surgir no Brasil um inédito sentimento
de preconceito racial.
Para começo de conversa, o mundo, naquela manhã de
22 de abril de 1500, era completamente outro. Quando a poderosa esquadra do
almirante português ancorou naquele imenso território, encontrou silvícolas em
plena idade da pedra lascada. Nenhum deles tinha noção de nação ou país. Não
existia o Brasil.
Os atuais compêndios de história do Brasil informam,
sem muita base, que a população indígena andava por volta de cinco milhões. No
correr dos anos seguintes, segundo os documentos que foram conservados, foram
identificadas mais de duzentos e cinqüenta tribos diferentes. Falando mais de
190 línguas diferentes. Não eram dialetos de uma mesma língua. Eram idiomas
próprios, que impediam as tribos de se entenderem entre si. Portanto, Cabral
não conquistou um país. Cabral não invadiu uma nação. Cabral apenas descobriu
um pedaço novo do planeta Terra e, em nome do rei, dele tomou posse.
O vocabulário dos atuais compêndios não usa a
palavra tribo. Eles adotam a denominação implantada por dezenas de ONGs que se espalham pela Amazônia, sustentadas
misteriosamente por países europeus. Só se fala em nações indígenas.
Existe uma intenção solerte e
venenosas por trás disso. Segundo alguns integrantes dessas ONGs, ligados à ONU, essas nações deveriam ter assento nas
assembléias mundiais, de forma independente. Dá para entender, não? É o olho na
nossa Amazônia. Se o Brasil aceitar a idéia de que, dentro dele, existem outras
nações, lá se foi a nossa unidade.
Nos debates da Constituinte de 88, eles bem que
tentaram, de forma ardilosa, fazer a troca das palavras. Mas ninguém estava
dormindo de touca e a Carta Magna ficou com a palavra tribo. Nação, só a
brasileira.
De repente, os festejos dos 500 anos do
Descobrimento viraram um pedido de desculpas aos
índios. Viraram um ato de guerra. Viraram a invasão de
um país. Viraram a conquista de uma nação. Viraram a perda de uma grande
civilização.
De repente, somos todos levados a ficar
constrangidos. Coitadinhos dos índios! Que maldade! Que absurdo, esse negócio
de sair pelos mares, descobrindo novas terras e novas gentes. Pela visão da
CNBB, da CUT, do MST, dos nacional-socialista s e das ONGs européias, naquela tarde radiosa de abril teve
início uma verdadeira catástrofe.
Um grupo de brancos teve a audácia de atravessar os
mares e se instalar por aqui. Teve e audácia de acreditar que irradiava a fé
cristã.
Teve a audácia de querer ensinar a plantar e a
colher.
Teve a audácia de ensinar que não se deve fazer
churrasco dos seus semelhantes.
Teve a audácia de garantir a vida de aleijados e idosos.
Teve a audácia de ensinar a cantar e a escrever.
Teve a audácia de pregar a paz e a bondade. Teve a
audácia de evangelizar.
Mais tarde, vieram os negros. Depois, levas e levas
de europeus e orientais.
Graças a eles
somos hoje uma nação grande, livre, alegre, aberta para o mundo, paraíso da
mestiçagem. Ninguém, em nosso país pode sofrer discriminação por motivo de raça
ou credo.
Portanto, vamos parar com essa paranóia de
discriminar em favor dos índios. Para o Brasil, o índio é tão brasileiro quanto
o negro, o mulato, o branco e o amarelo. Nas nossas veias correm todos esses
sangues. Não somos uma nação indígena. Somos a nação brasileira.
Não sinto qualquer obrigação de pedir desculpas aos
índios, nas festas do Descobrimento. Muitos índios hoje andam de avião, usam
óculos, são donos de sesmarias, possuem estações de rádio e TV e até COBRAM
pedágio para estradas que passam em suas magníficas reservas. De bigode e
celular na mão, eles negociam madeira no exterior. Esses índios são cidadãos
brasileiros, nem melhores nem piores. Uns são pobres. Outros são ricos. Todos
têm, como nós, os mesmos direitos e deveres. Se começarem a querer ter mais
direitos do que deveres, isso tem que acabar.
O Brasil é nosso. Não é dos índios. Nunca foi."
Comentário
da internet (concordo):
"O Brasil é nosso, não é dos índios"
Se é nosso é porque tomamos. Este texto caracteriza
muito bem a ideologia predominante no mundo, a de que não devemos respeitar os
outros povos. Com certeza, o Brasil é nosso, mas a terra onde eles vivem também
é deles. O governo não deve contestar isso. Deve administrar bem essa situação, e evitar o desmatamento, para
que a opinião internacional não caia matando.”