OAB do Pará será processada por juízes
http://www.conjur.com.br/2010-mar-02/oab-processada-afirmar-juiz-trabalha
Ganhou repercussão
nacional, nos últimos dias, as declarações da OAB-PA de que o magistrado
paraense só trabalha três dias por semana. Uma equipe de advogados fez uma
blitz pelas comarcas da capital e do interior do estado para verificar a
presença dos juízes no local de trabalho. O relatório final apontou
60% dos juízes faltosos. A Associação dos Magistrados do Estado do Pará
afirma que o dado não condiz com a realidade e que, para
comprovar, tem um relatório com as audiências feitas pelos juízes no dia
da blitz.
Na última segunda-feira
(1º/3), mais de 70 juízes se reuniram em assembleia geral extraordinária
convocada pela Associação dos Magistrados do Estado do Pará (Amepa) e decidiram
entrar com Ação Civil contra a OAB-PA. A decisão já foi encaminhada à
assessoria jurídica da entidade, que pretende tomar as
medidas necessárias para o ajuizamento coletivo da ação. A Amepa ressalta
que nada impede que cada juiz entre com uma ação individual contra a OAB.
Indignados, os juízes que
participaram da assembleia garantiram que a blitz feita pela OAB-PA não tem legitimidade,
pois os magistrados de várias comarcas mencionadas pela OAB enviaram à
presidência da associação e à Corregedoria do Tribunal de Justiça
do Pará o relatório de audiências feitas durante o dia da blitz. O
presidente da Amepa, juiz Paulo Vieira, reafirmou que a atitude do presidente
da OAB-PA foi impensada. “Não é atribuição da OAB fiscalizar o Judiciário, isso
prejudica a relação dos magistrados e advogados”, disparou o Vieira.
O Tribunal de Justiça,
por meio da Corregedoria de Justiça das Comarcas do interior e da capital, deu
prazo de dois dias para que o presidente da OAB, Jarbas Vasconcelos do Carmo,
encaminhe os nomes dos juízes ausentes, segundo apontou a blitz da OAB. No
entanto, o presidente disse não ter os nomes. Segundo ele, a entidade
quis apenas ajudar o Judiciário a melhorar o Judiciário. “Não é desta forma,
intimidando, vigiando, agredindo moralmente o juiz, que vamos melhorar a
prestação jurisdicional”, disse o presidente da Amepa.
Dois representantes da
Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), coordenador das Justiças
Estaduais, juiz Eugênio Couto Terra, e o secretário geral adjunto e membro da
comissão de prerrogativas da entidade nacional, participaram da assembleia em
solidariedade aos magistrados paraenses. Terra lembrou que o juiz não é
obrigado a cumprir horário, tampouco expediente. “Os juízes são juízes 24 horas
por dia e, por isso, podem trabalhar em casa, ou às vezes, precisam se deslocar
para outros locais, acumulam mais de duas comarcas”, completou o magistrado.
O
presidente da OAB paraense foi procurado, mas não se manifestou porque estava
em reunião para discutir a polêmica. Uma coletiva marcada para às 15h,
desta terça-feira (2/3), Jarbas Vasconcelos do Carmo falará sobre a reação dos
juízes.