OAB apura venda de prova por R$ 2.500
Aluno de Santo André teria comprado o exame de um
funcionário da Vunesp.
Fundação, responsável pela prova da seccional São Paulo, disse que não vai se
manifestar.
Do G1,
http://g1.globo.com/Noticias/Concursos_Empregos/0,,MUL218780-9654,00.html
14.12.2007
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Vunesp diz que vai colaborar com investigação de
exame da OAB-SP
A Ordem dos
Advogados do Brasil
)
está investigando uma informação de que a prova do exame nº
134, que seria aplicada no último domingo (9) e foi cancelada por suspeita de
fraude, teria sido vendida para um aluno de Santo André, na
Grande São Paulo, por R$ 2.500.
Segundo a
assessoria de imprensa da OAB-SP, o aluno teria comprado a
prova de um funcionário da Fundação Vunesp,
responsável pela impressão e aplicação do exame. Com o cancelamento do exame,
esse aluno teria procurado um jornal da região para apresentar a documentação
que comprovava que o conteúdo havia vazado. O repórter que publicou
a matéria foi chamado para depor na OAB-SP e apresentou partes da
prova que o aluno teria comprado. Segundo a OAB, o documento era
original.
Com isso, a OAB-SP
suspeita que o conteúdo tenha vazado em outros lugares, além de Santo
André e São Sebastião da Grama. Procurada pelo G1, a Fundação Vunesp informou que não vai se manifestar para não
atrapalhar as investigações.
Na quarta-feira
(12), o diretor-presidente da Vunesp, Benedito
Antunes, emitiu uma nota oficial informando que estava à disposição da Polícia
Federal para auxiliar nas investigações. "Assim como a Polícia Federal e a
OAB-SP, a Vunesp é também uma instituição voltada
para o interesse público e, por essa razão, está plenamente empenhada no
combate a ações fraudulentas nos processos seletivos e na cabal apuração desse
fato gravíssimo, que não pode permanecer impune", dizia a nota.
OAB responsabiliza Vunesp
Nesta terça (11), o
presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, declarou que a
responsabilidade pelo sigilo do Exame de Ordem 134, que foi fraudado,
é da Vunesp, fundação que faz a montagem,
impressão e aplicação da prova.
Em entrevista concedida à imprensa, na sede da PF de São Paulo, D'Urso
apresentou a cópia de duas páginas do teste, com as questões de 19 à 30, que teriam vazado antes da aplicação do exame. As
questões estavam no padrão usado pela Vunesp.
"A prova circulou já formatada antes de sua aplicação. A OAB não tem
acesso à prova física - que é montada dentro da Vunesp
com as questões fornecidas por nós - então o vazamento não aconteceu
no âmbito da ordem, mas sim depois do início da confecção pela Vunesp", justificou D'Urso.
De acordo com
D'Urso, se a investigação confirmar que o vazamento das questões se deu na
Vunesp, o contrato com a fundação será suspenso.
"Espero que
até o fim do ano já tenhamos esclarecido o caso. Tenho convicção que existe uma
quadrilha que está entregando este material", disse o superintendente da
PF, Jaber Saadi,
referindo-se também às possíveis fraudes apontadas em concursos para a Câmara
de São Paulo e Polícia Rodoviária Federal.
Véspera do exame
O exame foi
cancelado depois de uma denúncia de fraude na noite de sábado (8). As páginas
apresentadas por D'Urso foram obtidas pelo promotor Ernani de Menezes Vilhena Junior, que atua
No sábado, Vilhena Júnior informou o
conteúdo da denúncia ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, Rodrigo
Pinho, que encaminhou as informações à OAB-SP. Ao comprovar que as
questões recebidas pelo promotor faziam parte da prova que seria aplicada
no dia seguinte, o presidente da OAB-SP cancelou o exame, do qual
participariam cerca de 25 mil bacharéis em
direito.
Novo exame
A OAB-SP vai
remarcar para o próximo ano as provas que foram canceladas. Os candidatos
que se inscreveram para o exame 134 estarão automaticamente inscritos para as
novas provas.
"Estamos
cuidando das questões de logística, pois são quase 25 mil candidatos em todo o
estado. Além do mais, dependemos ainda de uma definição de qual será a fundação
que realizará a prova", disse D'Urso.
A prova da OAB é
requisito obrigatório para que o bacharel em direito possa exercer a profissão
de advogado. O exame seria aplicado na capital paulista e em mais 27 cidades do
interior.
A primeira etapa da OAB tem cem questões de múltipla escolha sobre as
seguintes matérias: direito constitucional, direito civil, direito empresarial,
direito penal, direito do trabalho, direito administrativo,
direito tributário, direito processual civil, direito processual penal e
também questões sobre o Estatuto da Advocacia e da OAB, seu regulamento geral e
o Código de Ética e Disciplina.