OAB apóia
medida do MEC para acabar com ‘analfabetos jurídicos’
Cuiabá,
27/09/2007 – Ao comentar hoje (27) a decisão do Ministério da Educação de
iniciar um processo para fechamento de cursos de Direito de má qualidade, o
presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto,
afirmou que a intenção da OAB ao propor ao MEC essa medida é evitar “o
estelionato cultural, o estelionato à família do jovem que dedica vários anos
da sua vida na faculdade e, ao final do curso, descobre que é um analfabeto
jurídico”. “Há no Brasil faculdades de Direito que são verdadeiros
cursos "caça-níqueis". São cursos de Direito que são escolas de
enganação”, afirmou Cezar Britto, que no próximo dia oito de outubro irá
receber na sede da entidade o ministro da Educação, Fernando Haddad. Nesta
visita aos membros do Conselho Federal da OAB, Haddad irá anunciar o fechamento
das primeiras faculdades de Direito que não têm condições de funcionar em razão
da má qualidade do ensino jurídico.
Lamentavelmente – disse Britto - a proliferação de cursos jurídicos no Brasil é uma realidade e o funcionamento de cursos sem qualidade um
“calote social”, uma vez que o mercado está saturado há muito tempo. Os números
causam desconforto. Segundo Cezar Britto, funcionam no
país, hoje, 1.080 faculdades de Direito, contabilizando em torno de 1,5 milhão
de estudantes. "Sem o Exame da Ordem teríamos cerca de 4 milhões de
advogados no Brasil dentro de três ou quatro anos, a maior parte sem
qualificação adequada". Hoje, o País possui cerca de 600 mil advogados — o
equivalente a 20% do total de advogados do mundo.
O Exame de Ordem — que possibilita ao bacharel em Direito ser reconhecido pela
OAB —, de acordo com Cezar Britto, é uma certificação da qualidade do
profissional. "Enquanto as boas instituições aprovam, em média, 80% dos
inscritos, as ruins reprovam cerca de 60% de alunos". Na avaliação do
representante da OAB, o surgimento de cursos deficientes "frustra o sonho
de ascensão social" de profissionais aplicados.
Fonte: http://www.oab.org.br/noticia.asp?id=11281