No Pará, exame da OAB reprova 66,82%

PROVA UNIFICADA Rendimento dos paraenses foi baixo outra vez

05.09.2007

O exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) continua sendo o grande obstáculo a ser ultrapassado para que os futuros advogados possam exercer, de fato, sua profissão. O índice de reprovação na primeira fase do exame no Estado, divulgado pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe-UNB), continua alto: na primeira fase, o índice de reprovação chegou a 66,82%, contra apenas 33,18% de aprovação.
Esta foi a primeira prova realizada de maneira unificada, ou seja, os que prestaram o exame aqui no Pará fizeram as mesmas provas dos alunos do resto do Brasil. Com isso, o índice de aprovação no exame, que já era baixo, caiu mais ainda. “Os motivos para esses percentuais de reprovação são os mesmos: a falta de amor ao estudo do Direito, aliada à massificação do ensino, com cursos de baixa qualidade proliferando pelo país. Além disso, outra falta grave é a não aplicação da teoria à prática”, destaca Edilson Dantas, presidente da Comissão de Exame e da Comissão de Ética da OAB-PA.
Outro motivo para a alta reprovação, aponta o advogado, é a péssima formação dos candidatos no ensino fundamental, “o que tem levado à universidade pessoas com cultura geral abaixo da necessária”. Na primeira fase, os inscritos responderam 100 perguntas objetivas de múltipla escolha. O acerto mínimo teria que alcançar 50%. “Tivemos ainda que dar dois pontos para todos os candidatos, já que o exame teria que trazer 10 perguntas de ética profissional, de acordo com o Provimento 109 do Conselho Federal da OAB, mas apenas oito quesitos foram formulados”, explica.

DIFÍCIL - A segunda etapa do exame, considerada a mais difícil e onde os candidatos terão que formular uma peça processual e responder cinco perguntas subjetivas com soluções-problemas, ocorrerá no dia 30. Nessa etapa, os candidatos poderão consultar códigos, doutrinas e jurisprudências. Não serão permitidas consultas a modelos e formulários já prontos. “A prova não é tão difícil quanto pintam. Porém, os alunos não se preparam adequadamente na faculdade, não estudam e querem um diploma e o registro na ordem de qualquer maneira e isso não pode ocorrer”, diz Dantas.

Luiz Flávio