MESMO QUE OS PODEROSOS SEJAM CONSELHEIROS DA
OAB...
Legalidade e liberdade são as tábuas da
vocação do advogado. Nelas se encerra, para ele, a síntese de todos os
mandamentos. Não desertar a justiça, nem cortejá-la. Não lhe faltar com a
fidelidade, nem lhe recusar o conselho. Não transfugir da legalidade para a
violência, nem trocar a ordem pela anarquia. Não antepor os poderosos aos
desvalidos, nem recusar patrocínio a estes contra aqueles. Não servir
sem independência à justiça, nem quebrar da verdade ante o poder. Não
colaborar em perseguições ou atentados, nem pleitear pela iniqüidade ou
imoralidade. Não se subtrair à defesa das causas impopulares, nem à das
perigosas, quando justas. Onde for apurável um grão, que seja, de
verdadeiro direito, não regatear ao atribulado o consolo do amparo judicial.
Não proceder, nas consultas, senão com a imparcialidade real do juiz nas
sentenças. Não fazer da banca balcão, ou da ciência mercatura. Não ser
baixo com os grandes, nem arrogante com os miseráveis. Servir aos opulentos com
altivez e aos indigentes com caridade. Amar a pátria, estremecer o próximo,
guardar fé em Deus, na verdade e no bem. (Ruy Barbosa, Oração aos Moços)