MEC fecha 54% das vagas de Direito no país

(notícia comentada)

BRASÍLIA (DF) - Por 11 meses, o Ministério da Educação supervisionou 81 cursos de direito no país. Com base em dois critérios objetivos – o da nota no Exame Nacional de Desempenho Estudantil (Enade) e no percentual de alunos aprovados no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – o resultado foi a redução de 54% das vagas oferecidas nestas instituições.

Em números absolutos, o percentual representa menos 24.380 vagas, das 45.042 oferecidas. A que teve o maior número de vagas reduzidas foi a Universidade Paulista (Unip), com corte de pouco mais de 6 mil, das mais de 10 mil ofertadas. Em seguida, o Centro Universitário Nove de Julho, também de São Paulo, com corte de pouco mais da metade das vagas: 2.594, das 5 mil que oferecidas.

Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, a redução do número de vagas, isoladamente, representa um avanço. Entretanto, de acordo com ele, se o corte não for combinado com outras providências, a repercussão na qualidade é pequena.

“O termo de compromisso estabelecido com o MEC não prevê apenas o corte de vagas. Prevê a contratação de professores titulados, alteração do regime de trabalho do corpo docente, melhoria das condições de infra-estrutura. Só atacando o problema no seu conjunto, as deficiências todas que foram detectadas pela comissão supervisora, é que isso vai impactar na melhoria do ensino jurídico no país”, disse Haddad.

Segundo o ministro, a supervisão deve continuar a ocorrer semestralmente nos cursos de direito. Ele sinalizou que a avaliação que já vem sendo feita dos cursos de medicina apontam deficiências em instituições públicas de ensino superior – ao contrário do que ocorreu agora, em que só figuraram na lista instituições particulares. O curso de pedagogia deve ser o próximo a passar por supervisão.

Caso as deficiências não sejam equacionadas até julho do ano que vem, “a comissão [de supervisão] terá carta branca do Ministério da Educação para sugerir as medidas cabíveis”, disse o ministro, acrescentando que “a comissão vai voltar [às instituições] para verificar se o compromisso firmado está sendo honrado. Se isso não estiver acontecendo, pode chegar ao descredenciamento do curso”.

Para o presidente da OAB, Cezar Britto, houve uma banalização do curso pelo país, “que tem mais gente fazendo do que qualquer outro”, e a medida vai solucionar o problema do excesso de formados que não conseguem o registro da ordem, e agora a qualidade passa a ser valorizada.

Britto defendeu que os que foram prejudicados pela má qualidade das instituições em que se formaram devem buscar reparação na Justiça, com uma ação de perdas e danos, para conseguir a devolução da mensalidade e também a reparação por danos morais, “pela perda do tempo que estudou e não poder fazer valer, depois, o diploma que lhe prometeram”.

Os mesmos critérios do fechamento das vagas podem ser utilizados. “Eu não tenho dúvida de que, hoje, quem caiu no conto do vigário educacional, tem dados objetivos para buscar uma reparação. Tem o exame da ordem e tem o Enade comprovando que o erro não está nele, e sim na instituição, que não cumpriu o que prometeu”, afirmou Britto.

Confira o ranking das 15 instituições que mais sofreram cortes após a supervisão.

 

COMENTÁRIO:

 

O problema é que está sendo negado, cada vez mais, o acesso ao ensino superior. O Governo abandonou as universidades federais e agora a OAB e o MEC querem fazer crer que toda a culpa cabe às Instituições Privadas de Ensino Superior. Na verdade, o problema começa com as deficiências do ensino fundamental e médio, de responsabilidade dos Estados e dos Municípios.

A continuar dessa maneira, com as pressões da OAB para a proteção do mercado de trabalho dos advogados já inscritos em seus quadros, o Brasil vai ganhar do Haiti. Hoje, estamos empatados, com apenas 10% dos jovens na Universidade!!!!