Lula é contra o “trem da alegria”
Diário do Pará,
21.08.2007
TEMPORÁRIOS
Presidente nega
apoio a projetos que propõem efetivação sem concurso público
O governo não vai apoiar
a discussão e a eventual aprovação do “trem da alegria” - proposta em
tramitação na Câmara que pode efetivar cerca de 260 mil funcionários sem
concurso. Em reunião de coordenação política ontem, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva determinou aos seus ministros que não endossem a medida.
A reportagem apurou que a posição do governo é de defesa do ingresso de
funcionários públicos via concurso. Para Lula, não se deve haver um acordo para
aprovar a medida que está em discussão no Congresso, mas é necessário achar uma
solução para a situação dos funcionários.
A medida causou críticas de aliados e de ministros. Segundo o ministro Paulo
Bernardo (Planejamento), a aprovação da proposta abriria precedentes e impacto
nos cofres públicos.
Em meio às polêmicas, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP),
retirou o assunto da pauta de prioridades da Casa. Não marcou data para retomar
o tema e reconheceu que há dificuldades em aprovar a medida.
PROPOSTA - O projeto, de 1999, assinado
pelo ex-deputado Celso Giglio (PSDB-SP), dá estabilidade a cerca de 60 mil
funcionários contratados sem concurso entre 1983 e 1988, quando a Constituição
estabeleceu que o ingresso no serviço público “depende de aprovação em
concurso”.
A respeito das emendas que determinam a efetivação de cerca de 200 mil
funcionários contratados para serviços temporários nos Estados, municípios e no
âmbito federal, Chinaglia considerou sua aprovação “quase impossível”.
Antes da orientação de Lula, Chinaglia havia dito que era seu dever colocar
todos os assuntos em tramitação na Câmara em votação.
O assunto veio à tona depois que, por decisão do colégio de líderes (que reúne
representantes de todos os partidos políticos), do dia 3 de julho --,
definiu-se que o tema deveria ser colocado em votação.
No final de 2006, alguns líderes partidários encaminharam um requerimento
sugerindo que o assunto fosse incluído na pauta de votações. Na ocasião,
Chinaglia, então líder do governo, e José Carlos Aleluia (DEM-BA), líder da
minoria, foram contrários à medida. (BRASÍLIA-DF - Folhapress)
Pará acompanha
votação de PEC na Câmara
O governo do Estado
estará acompanhando a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 054,
datada de 1999, que propõe a efetivação de trabalhadores temporários com mais
de dez anos de serviços prestados ao Poder Público. Se aprovada, a PEC
garantirá aos temporários a mesma estabilidade dos concursados. A secretária de
Estado de Administração, Maria Aparecida Barros Cavalcante, reafirmou que o
governo do Estado atuará na legalidade, independente do resultado da votação.
No Pará, segundo a secretária, são 20.141 temporários, sendo que 9.682 poderão
ser beneficiados pela PEC, a maioria nas áreas de Educação, Saúde e Segurança
Pública (agentes prisionais). A informação é da assessoria de imprensa do
governo.
No mês de fevereiro, o governo do Estado conseguiu uma revisão do Termo de
Ajustamento de Conduta (TAC) assinado no Ministério Público do Trabalho (MPT),
estendendo o prazo para distrato dos temporários até dezembro deste ano. O
primeiro prazo expirava em 30 de junho de 2006, tendo sido prorrogado
inicialmente até março deste ano. A contratação de temporários no Pará se deu a
partir da Lei Complementar 07/71, que regulamentou a Constituição Estadual,
permitindo ao Estado a possibilidade de contratação de servidores temporários,
“em situações de necessidades excepcionais, pelo prazo determinado de um ano,
prorrogável por mais um ano”.
Renata Giraldi