Juiz diz que
há advogados que enlameiam a beca
http://www.conjur.com.br/2010-jun-25/advogados-enlameam-beca-tratados-bandidos-juiz
O juiz
federal Odilon de Oliveira, em
nota enviada à revista Consultor Jurídico,
afirmou que o país precisa tratar
o combate ao crime organizado com seriedade. E disse ainda: "A hipocrisia deve ter limites”. Tudo
isso porque, nesta semana, veio
a público que no presídio de segurança máxima de Campo Grande (MS), o juiz
federal, em 2008, autorizou
gravação de conversa entre advogado e cliente, diante da suspeita
da possibilidade de um
crime. A OAB, por sua vez, anunciou
que irá fazer
uma representação no Conselho Nacional de Justiça contra ele.
Com o objetivo de garantir maior segurança e efetividade no combate ao crime organizado, os presídios federais
têm sistema de gravação de vídeo e áudio, inclusive dentro dos parlatórios, onde acontecem as conversas entre clientes e advogados. Essas conversas podem ser gravadas, desde que haja autorização
judicial, de acordo com o Ministério
da Justiça. As autorizações só
podem ser concedidas quando o advogado é acusado de participação em crimes.
Na terça-feira
(22/6), o presidente da
OAB, Ophir Cavalcante se reuniu com representante do Sistema Penitenciário Nacional, Sandro Torres Avelar, e o assessor do Ministério
da Justiça, Aldo Costa. A Ordem decidiu
também recorrer à Justiça para que
seja feita a retirada das câmeras de dentro dos parlatórios.
No manifesto, o juiz ressalta que
no caso em que autorizou a gravação da conversa
havia risco com repercussão até mesmo internacional. "O serviço de inteligência da penitenciária federal de Campo
Grande-MS serviu de meio eficiente para, dentro da lei, evitar talvez a maior tragédia nacional, com repercussão internacional, qual seja o sequestro de um dos filhos da mais
alta autoridade da República, para
ser trocado pelos chefes do PCC e do Comando Vermelho. Um advogado, que, usando o parlatório,
participava do plano,
foi preso em flagrante. Corre ação penal contra oito pessoas participantes desse plano”,
explicou.
O juiz
ressaltou que “os advogados
são profissionais indispensáveis para a vida nacional. A
OAB igualmente. Mas, como em toda profissão, há malfeitores. Existem bandidos que se tornam advogados. Pombos-correio existem fazendo escala em presídios.
São ajustados para esse serviço e vivem a enlamear
a beca que vestem. Devem ser tratados como
bandidos”.
Leia o
manifesto do juiz federal:
PENITENCIÁRIAS FEDERAIS
1) O que
são — São eficientes mecanismos de combate ao crime organizado. Abrigam presos da mais alta periculosidade, entre traficantes, latrocidas, assaltantes de bancos e outros tantos malfeitores.
São consideradas áreas de segurança nacional.
2) Meios
de defesa — Com esse perfil, devem ter
mecanismos de defesa preventiva interna e externa. O bandido está preso numa
delas, mas
sua organização permanece fora. Há necessidade de comunicação.
Seu serviço de inteligência é instrumento indispensável.
3) Importância
da advocacia — Os advogados são profissionais
indispensáveis para a vida nacional. A
OAB igualmente. Mas, como em toda profissão, há malfeitores. Existem bandidos que se tornam advogados. Pombos-correio existem fazendo escala em presídios.
São ajustados para esse serviço e vivem a enlamear
a beca que vestem. Devem ser tratados como
bandidos.
4) Exemplo
prático — O serviço de inteligência da penitenciária federal de Campo Grande-MS serviu de meio eficiente para, dentro da lei, evitar talvez a maior tragédia nacional, com repercussão internacional, qual seja o sequestro de um dos filhos da mais
alta autoridade da República, para
ser trocado pelos chefes do PCC e do Comando Vermelho. Um advogado, que, usando o parlatório,
participava do plano,
foi preso em flagrante. Corre ação penal contra oito pessoas participantes desse plano.
5) Consequências
— Se as autoridades competentes
vierem a se acovardar diante de incompreensíveis pressões e a mutilar esse serviço de inteligência, estarão elas facilitando a entrega das prisões
federais ao crime organizado e estas se transformarão em seguros escritórios de bandidos de alto quilate. O Brasil precisa
ser sério no combate ao crime organizado. A hipocrisia
deve ter limites.
Odilon de Oliveira, juiz federal, Campo
Grande-MS.