Júdice arrasa bastonário da Ordem dos Advogados
JOSÉ MANUEL
OLIVEIRA
http://dn.sapo.pt/2008/05/21/sociedade/judice_arrasa_bastonario_ordem_advog.html
Antigo bastonário afirma
que Ordem perdeu prestígio e respeito
A
Ordem dos Advogados (OA) "perdeu prestígio, capacidade negocial,
não é respeitada, não lidera o combate pela justiça, nem houve um único acto legislativo que tivesse conseguido influenciar. Está
entregue nas mãos de um populista que autoritariamente comanda tudo e todos e
que entrou em conflito aberto com os conselhos distritais, o que não augura
nada de bom".
Estas duras críticas foram ontem feitas pelo ex-bastonário
José Miguel Júdice, que num encontro de advogados, em
Faro, voltou a atacar a acção do actual
bastonário, Marinho Pinto.
"Não me lembro de algum bastonário ter criado
alguma situação de tanta tensão com os conselhos distritais da Ordem dos
Advogados. Quando o poder é pessoalizado, quando não existe descentralização,
quando não há uma partilha de responsabilidades, não se verifica uma
participação democrática, pois decide tudo completamente sozinho, os fermentos
do processo ditadorial estão lá", sulinhou, já no final, ao DN, José Miguel Júdice. Marinho Pinto "foi, creio, o único bastonário que ganhou dinheiro a trabalhar com verbas da
Ordem dos Advogados", denunciou. Júdice
aproveitou para enaltecer o papel do antigo bastonário
Pires de Lima por ter contribuído para "a unidade da profissão".
No tocante ao trabalho que considera ser necessário levar a
efeito na advocacia para enfrentar os novos desafios numa sociedade em
mudança, o antigo bastonário da OA destacou,
nomeadamente, a criação de um código de conduta, o regime do segredo
profissional de justiça, o regime especial para os profissionais que trabalham
em sociedades de advogados, a descentralização das competências, medidas de
apoio ao associativismo, a alteração do regime de controlo disciplinar e a
formação contínua obrigatória. Foi, de resto, nesta matéria em que Júdice insistiu com especial ênfase durante a sua
intervenção no Clube Farense, a convite do Conselho Distrital de Faro da Ordem
dos Advogados. "Não se pode dizer que vamos aumentar o grau de exigência
para os que entram na profissão, enquanto que para os que cá estão não há
nenhuma exigência", observou.
"Nenhum advogado, se não investir na sua formação, consegue, ao fim de
cinco ou dez anos, estar actualizado e capaz de
manter um serviço de adequado aos clientes", alertou Júdice.
A falta de condições de trabalho de muitos jovens advogados foi igualmente
apontada.