Jornalistas
e advogados: guildas medievais e corporações de ofício ultrapassadas
http://diplomatizzando.blogspot.com/2009/06/1168-jornalistas-e-advogados-guildas.html
Recebi,
de um amigo, uma manifestação da OAB-PE em favor da manutenção da exigência de
diploma e de registro para jornalistas.
Como sou totalmente contrário a esse tipo de prática medieval, a esse
cartorialismo ultrapassado, a esse regime de guildas protegidas por um decreto
qualquer da autoridade, enfim, a esse tipo de corporação de ofício incompatível
com um regime de liberdade e de sadia competição no mercado de trabalho,
respondi o que vai um pouco mais abaixo.
Diploma: OAB-PE pede que Britto busque regulamentação da profissão de
jornalista
Brasília, 19/06/2009 - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB), Cezar Britto, recebeu hoje (18) ofício encaminhado pelo presidente da
Seccional da OAB de Pernambuco, Jayme Asfora, no qual solicita que o Conselho
Federal da OAB encaminhe ao Congresso Nacional minuta de projeto de lei que
busque a regulamentação da profissão de jornalista e determine a exigência do
diploma de curso superior e registro profissional no Ministério do Trabalho
para o exercício da profissão.
Para Asfora, a decisão do Supremo Tribunal Federal - que considerou
inconstitucional a exigência do diploma para o exercício da profissão - é um
"retrocesso democrático" e "uma afronta a um dos princípios
fundamentais da cidadania: o acesso à informação livre e de qualidade".
Ainda segundo o dirigente da OAB pernambucana, a decisão
do Supremo em nada contribuirá para o engrandecimento da sociedade, uma vez que
não é possível negar que ética, informação de qualidade, com responsabilidade e
preparação técnica são qualificações que devem ser consideradas essenciais para
o exercício do jornalismo.
Comentários de Paulo Roberto de Almeida:
A posição da OAB, como não poderia deixar de ser, é totalmente corporativa.
Ninguém está pedindo que o jornalista seja um ignorante, ou que ele não possa
ser, inclusive, alguém formado por um curso de jornalismo.
O que se pretende é que uma profissão essencialmente aberta como esta não
esteja unicamente reservada apenas aqueles que ostentam um canudo de um curso
especifico de uma faculdade qualquer (que pode muito bem ser uma Faculdade
Tabajara).
O que se
está dizendo é que o proprietário de um empresa de comunicação poderá contratar
qualquer um, sublinho qualquer um, como jornalista, repórter, editor, revisor,
resenhista, etc, sem qualquer exigência de diploma.
Uma posição basicamente correta, pois qualquer pessoa medianamente alfabetizada
pode ser jornalista. Se ele será, ou não, um bom jornalista, isso é problema do
empresário de comunicação, e de seu público, evidentemente, que saberá o que
fazer com uma publicação mediocre, mentirosa, desonesta, etc.
A posição da OAB não se sustenta nem pela lógica formal de uma profissão tão
aberta quanto a de jornalista, portanto menos especializada do que a de
advogado ou jurista, para a qual se poderia, teoricamente, exigir formação
especializada.
Minha profissão, por exemplo, diplomata, não exige nenhum diploma em particular,
apenas que se tenha um diploma de qualquer ensino superior: pode ser de
veterinária, educação física, engenharia, medicina, etc. Eu acho excelente essa
abertura a todas as profissões, e acho que seria detestável se uma exigência
legal reservasse a carreira unicamente para os formados em relações
internacionais. Seria muito aborrecido.
Aliás, eu
nem exigiria qualquer tipo de diploma para o concurso à diplomacia, sequer o de
ensino primário. Se a intenção é a de escolher pessoas bem preparadas, de
quaisquer horizontes, melhor abrir o escopo para qualquer pessoa, sem nenhum
exigência educacional. Poderiamos ter, teoricamente, autodidatas integrais
perfeitamente capazes.
Esse culto dos diplomas e dos canudos é perfeitamente insuportável.
Provavelmente eu teria um critério muito simples: a profissão mata pessoas?
Então se poderia pensar em alguma qualificação profissional. Digamos que seria
o caso, no máximo, de médicos e engenheiros, com alguma extensão a dentistas e
assemelhados.
O resto, necas de pitiribas, nenhum diploma, concursos totalmente abertos.
Advogado precisa de registro na OAB atualmente: mas isso é um resquício
medieval totalmente ultrapassado, uma reserva de mercado que lhes dá o direito
de cobrar um pouco mais, apenas isso. Quem quiser um advogado, basta examinar
seu curriculo e provas de habilidade, assim como temos hoje um Lattes funcional
e aberto a consulta.
Estariamos
melhor servidos e com preços bem mais razoáveis.
Abaixo a OAB, ou que ela sobreviva num mercado em concorrência total...
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Paulo Roberto de Almeida