INSURGÊNCIA DOS ADVOGADOS
Deusdedith Brasil
Advogado
e Professor da UFPA.
O colega Jarbas
Vasconcelos insinuou a minha participação em seu Grupo
para concorrer às eleições da
OAB Seção do Pará. Naquela oportunidade, expliquei que não poderia
me envolver porque o meu irmão Acreano
integrava o Grupo da situação.
Com a primeira nota publicada
nos jornais de Belém a respeito do conchavo denominado eufemisticamente de acordo, fiquei inquieto porque não posso
aceitar, e nenhum advogado democrata há de admitir, sob hipótese alguma, que “cabeças” de Grupos que se digladiavam
pelo comando da Secional possam
decidir em nome categoria.
Parece-me que tudo foi feito furtivamente. Não ouvi falar
na participação
das subseções, mas a nota
“À Advocacia do Pará”, como se fosse da Corporação (assinada por Ângela Sales na condição de presidente), registra que a aliança “foi amplamente discutida com incontáveis colegas da capital e das subseções”. Desconfio. Incontáveis é um número vazio.
Se houvesse participação
efetiva e legítima da categoria dos advogados, as notas seriam desnecessárias.
A procura
de apoio, também para iludir, dos ex-presidentes da Corporação para o arranjo de conveniência desrespeita os advogados paraenses. Vejo no arranjo, que qualifico
de conchavo, uma ação deletéria prejudicial à categoria. Objetiva suprimir o debate democrático
a respeito dos problemas da classe tão
esquecidos nos últimos 15 anos.
Os advogados
não podem ser lesados. O arranjo
de conveniência, da pior qualidade, trai a democracia, e parodiando Raymundo Faoro posso afirmar
que os conceitos
como de democracia, representação e legitimidade foram facilmente substituídos pelos de conchavo, coronelismo, auto-ajuda e cachacinha.
Desde a minha inscrição na Ordem
como solicitador, em 1966, não tenho
notícia de se haver pretendido iludir a categoria dos advogados de maneira tão espúria.
Uma verdadeira empulhação. Por que não se utilizaram
dos recursos gastos com as notas (espero que
não tenham sido pagas com o nosso dinheirinho) para convocar os
advogados paraenses para uma audiência
pública onde, aberta e transparentemente, discutir-se-ia não o desconfiado arranjo, mas, sim,
os problemas da categoria? Onde foi a reunião que
culminou com o arranjo?
Na bodega, na calada da noite?
Quem sugeriu e resolveu arranjar? Qual o quorum que aprovou
o arranjo? Quem são os mais interessados?
A atual Presidente,
o Tesoureiro Federal, os candidatos ao Conselho
Federal e os atuais conselheiros da Secional? Como, afinal,
tudo foi arranjado? Quantos advogados participaram do arranjo, ou melhor,
do conchavo? Por que terá sido que o ex-presidentes
Sérgio Couto e Avelina Hesketh não emprestaram seus nomes para
apoiar o conchavo dos coronéis da política
da OAB ou dos latifundiários da Corporação?
Não posso aceitar,
e meus colegas hão de confirmar. Os advogados das mais variadas subseções foram considerados integrantes de currais eleitorais do “coronelismo
feudal”.
O conchavo renega
à democracia em benefício de grupos que não têm
a representatividade nem legitimidade para decidir a sorte dos advogados. Estes, pela própria formação humanista, querem um processo eleitoral onde prevaleça o debate público e democrático.
Espero que os advogados se insurjam contra o arranjo e não entrem
no “curral eleitoral” desenhado por quem
não tem “lápis nem compasso” para
assim configurar o destino da categoria. Hão de se insurgir para deflagrar
um processo eleitoral transparente, que não vise absolutamente beneficiar quem quer que seja.
Que a categoria em eleições
limpas e transparentes tenha o direito buscar novas lideranças. Recusemos o embrulho trazido na
mala não se sabe de quem, para demonstrar
que a categoria não está sujeita
a cabresto de feudos.
Nada pessoalmente
contra o colega Jarbas. Tenho com ele boas
relações. Nem contra o Ophir, apesar deste
ter copiado uma peça minha
e assinado como
se fosse de sua produção. Mas sou
contra o conchavo em homenagem à disputa livre e democrática que toda a categoria
almeja. O debate de idéias
é imprescindível ao fortalecimento da Democracia. They don’t care about us (MJ):Eles não ligam pra gente.
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