Greve na
Defensoria Pública tem 90% de adesão; SP pára negociações
William Maia
A adesão à paralisação das atividades da Defensoria Pública do Estado de São
Paulo chegou a 90% nesta segunda-feira (13/10), segundo a Apadep
(Associação Paulista de Defensores Públicos), responsável pelo movimento. Na
Capital, cerca de 95% dos defensores aderiram ao primeiro dia da greve.
Uma reunião da defensora-geral com a Secretaria de
Gestão do Estado que estava marcada para essa terça-feira (14/10) foi cancelada
após o início da paralisação. A Secretaria de Justiça afirma que o retorno das
atividades é uma condição indispensável para a retomada das negociações.
Segundo a Apadep, até sexta-feira (17/10), prazo
previsto para a duração da greve, apenas os atendimentos de caráter emergencial
serão realizados.
Os grevistas dizem querer chamar a atenção do Governo do Estado para a
necessidade do fortalecimento da instituição, com o aumento do efetivo de
profissionais. Eles argumentam que apenas 7% dos municípios paulistas têm
Defensoria e somente 35 defensores em todo o Estado atuam na assistência a
presos, o que seria uma das razões do alto número de pessoas detidas após o
cumprimento da pena.
Já a defensora pública-geral Cristina Guelfi Gonçalves se posicionou contra a paralisação,
argumentando que apresentou dois anteprojetos de lei ao Governo do Estado, que
visam à estruturação da instituição. Apesar de ter sido a menos votada na lista
tríplice apresentada ao governador José Serra, ela foi nomeada para o cargo em
maio deste ano.
Em nota, Secretaria de Justiça afirmou a principal reivindicação da categoria
seria elevar os salários dos defensores ao teto de R$ 24,5 mil pago aos
ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), o que seria inviável para o
orçamento estadual. Disse também que por ter sido criada há apenas três anos, a
Defensoria ainda necessita da complementação feita em parceria com a seccional
paulista da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
O sindicato critica o convênio feito
pelo Estado com a OAB-SP, que custaria R$ 270 milhões anuais aos cofres
públicos, para um total de 1,2 milhão de atendimentos, feitos por 47 mil
advogados inscritos. De acordo com a APADEP, com a verba seria possível
quadruplicar o efetivo da Defensoria, que possui 400 profissionais e realiza
850 mil atendimentos, a um custo anual de R$ 75 milhões.
Segunda-feira, 13 de outubro de 2008