Greve
em São Paulo
Governo adia negociação
sobre contratação de defensores
por Daniel Roncaglia
Por causa da paralisação dos defensores públicos de
São Paulo, a reunião entre o secretário estadual de Gestão Pública, Sidney Beraldo, e a defensora pública-geral, Cristina Guelfi
Gonçalves, marcada para terça-feira (14/10), foi adiada. Seria discutido o
anteprojeto de lei para contratação de 400 defensores. O governo de São Paulo
não voltará a discutir a questão até que os defensores voltem ao trabalho.
Os defensores públicos prometem ficar de braços
cruzados até sexta-feira (19/10). Segundo a Associação Paulista de Defensores
Públicos (Apadep), 90% dos trabalhadores aderiram à
paralisação no estado. Na cidade de São Paulo, o número foi de 95%.
Eles afirmam que os casos emergências, que
envolveram riscos à vida e à segurança das pessoas, foram atendidos. Citam como
exemplo o caso de uma mulher com câncer que precisava de um remédio urgente.
Farpas por notas
O sindicato dos defensores divulgou nota para
rebater texto da Secretaria da Justiça do estado, que afirmou que a paralisação
dos defensores públicos serve somente ao projeto político e ideológico de
parcela de membros da Defensoria, e não ao interesse público.
“Lamentável constatarmos que uma Secretaria de Estado
de um Poder Executivo estadual baseie sua conduta de negociação em afirmações
inverídicas, em clara tentativa de politizar uma questão cujo debate visa o bem
estar social da população, principalmente da mais pobre do Estado”, diz a nota
dos defensores.
A defensora pública-geral Cristina Guelfi Gonçalves disse, também em nota, que as unidades da
Defensoria ficarão de portas abertas. “A Defensoria-Geral vem buscando a
progressiva estruturação da instituição, tanto que em junho enviou ao governo
do estado dois anteprojetos de lei”, explica a defensora. O outro anteprojeto
pede a equiparação salarial ao teto do Judiciário (R$ 24,5 mil) ( Clique aqui
para ler a nota da defensora).
Segundo nota da Secretaria
da Justiça, o governo vem atendendo as reivindicações da Defensoria de forma
continuada, “mas não pode aceitar uma greve absurda, em uma instituição que tem
apenas dois anos de existência”. O texto diz que “o governo de São Paulo
reitera, ainda, que sempre esteve aberto ao diálogo, mas não aceitará pressões
descabidas e radicais” (
Clique aqui para ler a nota do governo).
Em resposta, a Apadep
afirma que os defensores já se reuniram três vezes sem sucesso com a Secretaria
de Justiça. “A paralisação está sendo utilizada como última ferramenta após
quatro meses de mobilização permanente sem qualquer aceno concreto do governo”,
explica o sindicato.
Sobre o convênio com a OAB, a associação diz que a
sua expansão causará prejuízos aos cofres públicos. Explica que os 47 mil
advogados atenderam no ano passado 1,2 milhão de
pessoas ao custo de R$ 270 milhões. Já os 400 defensores do estado fizeram 850
mil atendimentos ao custo de R$ 75 milhões. Segundo o sindicato, com o dinheiro
do convênio, “o Estado poderia quadruplicar a estrutura do órgão público,
disponibilizando atendimento adequado a toda população de São Paulo”.
A Defensoria promete fazer, na terça-feira (14/10),
manifestação a partir das 13h, na Assembléia Legislativa de São Paulo. Outro
ato será feito às 10h de sexta-feira (17/10) em frente ao Masp, na avenida Paulista.
Leia a nota do sindicato dos defensores
APADEP (Associação Paulista de Defensores Públicos)
esclarece, após nota divulgada neste domingo (12/10) pela Secretaria da Justiça
e da Defesa da Cidadania de São Paulo, que:
— mais uma vez, a Secretaria busca deslegitimar os
números apresentados pela APADEP (já que estes demonstram a situação dramática
da Instituição Pública no Estado) ao afirmar, categoricamente, em nota, que
existe um “projeto político-ideológico de parcela dos integrantes da Defensoria
Pública”. Lamentável constatarmos que uma Secretaria de Estado de um poder
Executivo Estadual baseie sua conduta de negociação em afirmações inverídicas,
em clara tentativa de politizar uma questão cujo debate visa o bem estar social
da população, principalmente da mais pobre do Estado. Infelizmente, a tentativa
da Secretaria em deslegitimar os pleitos dos defensores públicos colocando a
questão como político-ideológica em nada contribui para a urgente melhoria do
acesso à Justiça à população carente de São Paulo.
— quanto à “abertura ao diálogo”, citada na nota da
Secretaria, informamos que os defensores se reuniram três vezes com a Secretaria
da Justiça sem, contudo, obter qualquer proposta concreta em relação aos
pleitos da carreira. A paralisação está sendo utilizada como última ferramenta
após 4 meses de mobilização permanente sem qualquer aceno concreto do governo.
No dia 1 de setembro, cerca de mil pessoas fizeram passeata no centro de São
Paulo, que se encerrou em frente à Secretaria de Justiça. Foi entregue ao
Secretário “Manifesto pelo fortalecimento da Defensoria Pública” assinado por
mais de 100 entidades da sociedade civil e movimentos sociais, o que não
sensibilizou o governo a oferecer uma resposta.
— em relação ao convênio com a OAB, a sua expansão
não atende aos interesses da população carente e causará sérios prejuízos aos
cofres públicos. Os 47 mil advogados inscritos no convênio, realizam cerca de 1,2 milhão de atendimentos por ano e custam ao Estado mais
de 270 milhões de reais, enquanto a Defensoria, com 400 profissionais, realiza
850 mil atendimentos por ano e tem estrutura que acarreta o gasto de 75 milhões
anuais. Com o orçamento destinado ao convênio com advogados particulares, o
Estado poderia quadruplicar a estrutura do órgão público, disponibilizando
atendimento adequado a toda população de São Paulo.
Revista Consultor Jurídico, 13 de outubro
de 2008