Falta de operacionalidade
Dirigentes
da OAB-GO reduzem a instituição
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por Manoel Leonilson Bezerra Rocha
Revista Consultor
Jurídico, 25 de novembro de 2008
A crescente onda de
violência que aterroriza a sociedade, gerando nesta um ininterrupto estado de
pavor e generalizada sensação de insegurança, não revela apenas a falta de
vontade política efetiva para o enfrentamento do problema, mas, também, de
forma ainda mais deplorável, explicita-se uma lamentável abolia e ineficiência
da instituição OAB, Seção Goiás, outrora considerada guardiã e vanguardista na
defesa dos direitos civis.
O que todos nós estamos
a assistir, estarrecidos, com esse assustador e intolerável índice de
violência, inimaginável em uma sociedade civilizada e representada por
políticos sérios, aqueles que sabem o que é ser, verdadeiramente,
representantes do povo, é o declínio e a absoluta falta de operacionalidade e
representatividade da OAB-GO, tendo à frente a atual administração.
Apesar das reiteradas
demonstrações públicas de ineficiência das polícias, o que se nos apresenta,
nos últimos dias, é de causar consternação a todos e ameaça retirar,
implacavelmente, do coração de cada um de nós (homens, mulheres, crianças), a
última semente da esperança de que, em algum momento, poderá haver reação
contra essa situação de caos, fruto do descaso para com a segurança pública.
Nesses tempos de
recrudescimento da violência em razão da falta de postura dos órgãos públicos,
que mais se assemelham às naus perdidas, à deriva, o mínimo que se espera de
instituição como a OAB-GO é um posicionamento à altura de sua histórica
importância na defesa dos direitos do cidadão. Entretanto, é absolutamente o
inverso o que estamos testemunhando.
Enquanto a violência
campeia, inclusive e principalmente a violência institucionalizada, a OAB-GO
assume, de público, um alinhamento aparentemente conivente, servil e resignado
com instituições as quais deveria cobrar e exigir maior eficiência,
responsabilidade e comprometimento para com o respeito aos direitos dos
cidadãos.
Semanas atrás fui
surpreendido com duas matérias diferentes, mas, ambas, convergindo para o mesmo
ponto do problema que envolve a segurança pública no estado de Goiás. Na edição
de domingo, dia 16, do jornal O Popular, deparei, atônito, com a
reportagem especial sobre o crescimento de assassinatos na grande Goiânia,
cujos números apontam para índices escabrosos que nos conduzem a imaginar que
vivemos em um dantesco cenário de terra sem lei e sem homens públicos sérios e
responsáveis.
A outra reportagem,
desta vez na Revista da OAB-GO, edição 69, também trata de um cenário triste e,
igualmente, causou-me a sensação de que na atual administração da OAB-GO não
existem dirigentes sérios e responsáveis que sejam verdadeiramente dignos de
serem chamados “representantes dos advogados e advogadas” e que tenham
consciências de suas importâncias e responsabilidade para com a Instituição e a
sociedade.
Os atuais dirigentes da
OAB-GO, ao invés de capitanearem uma reação contra esse estado de barbárie
instalado em nossa sociedade, em razão da ineficiência dos órgãos de segurança
pública, comportam-se como se fossem meninos que se encantam com o reluzir
efêmero e fosco das bijuterias que ganharam de presentes, outorgados pela
Policia Militar, “pelos relevantes serviços prestados”. Refiro-me à matéria da
página 30, onde se lê: “Homenagem. OAB-GO recebe comenda da PM”. Nesta
página existe uma fotografia com todos os dirigentes e conselheiros estampando
sorrisos de felicidade pelos mimos recebidos.
Ainda na mesma edição
da revista, na página 29, uma inoportuna matéria para homenagear o atual
Secretário de Segurança Pública, com o título: “Direitos Humanos. Segurança e Respeito
à Sociedade”. Eu não vou afirmar nada, vou apenas perguntar a essa mesma
sociedade: Pode-se, realmente, falar em direitos humanos atualmente no estado
de Goiás? Pode-se dizer que existe, atualmente, “segurança e respeito à
sociedade”? Temos o que comemorar em relação à segurança pública em Goiás? Que
“serviços prestados” foram esses aos quais se refere a Policia Militar? Teria
sido a omissão da OAB-GO que, ao se portar inerte, não incomoda a Polícia
Militar em suas discutidas operações ineficazes e formas de enfrentamentos
violentos?
Nesta última semana,
viu-se na imprensa um público embate entre as duas policias (civil e militar),
uma jogando para a outra a culpa de suas incompetências, culminando com a
demissão da cúpula das duas instituições. A OAB-GO aplaude e reverencia
ambas.
A OAB-GO está se
omitindo em questões de elevadíssimas importâncias para toda a sociedade
exatamente em um momento crítico. Esta omissão vem acarretando um lamentável e
perigoso descrédito à Instituição e, com isso, acaba por colaborar, ainda que
culposamente, para com a implantação de um estado policial em nossa sociedade,
com a nefasta institucionalização do medo e do pavor generalizado, em uma
cidade onde a polícia militar, paradoxalmente, — conforme informa a mesma matéria
do jornal O Popular — é uma das principais protagonistas nesse cenário
sinistro, diretamente envolvida no elevadíssimo índice da criminalidade
violenta, em razão de sua ideologia voltada ao enfrentamento e à letalidade.
Da forma apática e
indiferente como vêm se apresentando os atuais dirigentes da OAB-GO, faz com
que esta importante instituição se reduza a algo inexpressivo.
Exemplo maior dessa inação da OAB-GO no que se refere a uma tomada de postura
séria e à altura de sua importância e finalidade, é o que ocorre com a Comissão
de Direitos Humanos (alguém já ouviu falar dela?). Esta Comissão passa a
impressão de que nem mesmo existe, face à sua absoluta omissão frente às
questões relevantes que exigem a sua imediata atuação. Ao não cumprir o seu
dever, a Comissão de Direitos Humanos, e a OAB-GO como um todo, entra em um
processo de autofagia, perdendo sua importância, o seu respeito, correndo-se o
risco de culminar com a sua autodestruição.
Assumir postura firme,
de forma austera e independente, não significa ser agressivo ou rivalizar com
os órgãos públicos. É uma questão de respeitar e fazer respeitar a importante
Instituição para a qual foram eleitos para bem e fielmente representá-la. Poder
que não é exercido é respeito que não existe. Aquilo que não demonstra ter
função útil perde a sua força e colapsa-se em si mesmo. O problema calamitoso
que atinge toda a sociedade, ferindo direitos fundamentais dos cidadãos, carece
de uma ação urgente e competente da OAB-GO. Os males advindos, cotidianamente,
da violência recrudescida, deixam marcas e cicatrizes indeléveis nos corações e
mentes de todos nós.
Os atuais dirigentes da
OAB-GO devem, imediatamente, preocupar-se com questões que verdadeiramente são
valiosas, como instituições operantes, políticos responsáveis, direitos dos
cidadãos respeitados, etc. Isto sim, deve ser a bandeira de luta que deve
encher de alegria e orgulho os seus corações, pois são bens maiores e,
verdadeiramente, valiosos, porque são duradouros. Os medalhões forjados com
ouro de tolo, batizados de “comendas”, agraciados pela Polícia Militar aos
atuais diretores e conselheiros da OAB-GO e que ornamentam seus peitos, são
meros metais que, em breve, estarão corroídos pela ferrugem.
Fernando Lima (Professor
Universitário 26/11/2008 - 05:24
E por falar em OAB/GO, o que foi apurado
a respeito das fraudes no Exame de Ordem, que foram descobertas na
"Operação Passando a Limpo", da PF, quando foram presos 12 dirigentes
da OAB???
Alguém já foi responsabilizado?
Alguém já teve a carteira cassada?
Ou foram todos absolvidos??