Exmº.Sr.Deputado,

 

 

 

No pré-modernismo, no Séc. XVII,  a nossa educação era  centrada no conteúdo a ser informado, com estímulo e resposta, com ênfase na importância  do meio para aquisição do conhecimento, na informação e na memória. A educação moldava o sujeito, o professor transmitia  o seu saber  produzido por outro e o aluno, passivo, reproduzia  o transmitido  exatamente com as mesmas palavras do professor. Tantas vezes necessárias ou que suportasse para ser aprovado, o dom do aluno e as suas habilidades não eram  trabalhadas, na chamada Educação Empirista.

 

Estamos em pleno Séc. XXI, porém a “OAB”  aplica  as suas provas ainda  calcada em uma Educação empirista,  de   decorar, pois na primeira fase do Exame da OAB precisamos decorar  os códigos para  podermos  ser aprovados. Já na segunda fase a resposta tem que ser exatamente o que eles querem, uma cópia fiel reproduzida dos artigos.

 

 Esqueceram   que   a sociedade evoluiu  e  os métodos da educação também. Hoje  temos   uma Educação  Interacionista, ou seja, o meio  em que vivemos vai nos  oferecer as possibilidades, porém o sujeito tem que ir atrás, procurar, se aperfeiçoar e  aprender a raciocinar,  pensar para agir, pois cada momento  é único  para o sujeito interagir  com o meio. Não se utiliza mais  decorar, reproduzir textos, e sim interpretá-los, uma vez que o conhecimento não é uma cópia da realidade e conhecer um  processo ou acontecimento, não é  simplesmente olhar e fazer uma cópia mental, ou imagem do mesmo.

 

Para conhecer um processo é necessário agir sobre ele, conhecer e modificar, transformar o objeto e compreender o processo dessa transformação. É uma operação que permite ao sujeito do conhecimento alcançar estruturas ampliadas.

 

 O que encontramos atualmente, são bacharéis fazendo e aplicando provas para  bacharéis. Os ditos “Advogados”, única e exclusivamente porque possuem a carteira Vermelha da OAB pensam que possuem o direito de julgar os  conhecimentos  de seus colegas, esquecendo que em sua maioria não são   pós graduados, mestrados ou sequer têm doutorado.

 

 Pergunto eu: Que preparo didático e pedagógico eles possuem, para poderem fazer esse tipo de aberração  que estão fazendo com   os seus próprios colegas, além  do exame ilegal, calcado em uma cobrança educacional do Séc. XVII?

 

É triste e decepcionante, até quando teremos que fazer vista grossa   para o interesse  e os direitos dos bacharéis, em benefício  do engodamento da carteira dos ricos o Exame da OAB passa a ser apresentado como um objetivo cuja  realização corresponde ao progresso do País.

 

Em que País estou vivendo? O que está acontecendo com o MEC, e com o Judiciário?

 

 

Marli Martins Paiva

Bacharel em Direito – URCAMP- BAGE-RS

Pós-Graduada  Direito do Trabalho e Processo do Trabalho –URCAMP-BAGE

Formação Superior em Pedagogia para Docência  Jurídica – UERGS-BAGE