Excelentíssimo Senhor Senador da República Gilvam Borges
"Raimundo José Navarro
Fontoura" fontouraadvogado@yahoo.com.br
Carta aberta que enviei ao Senador Gilvam Borges e aos outros 80 senadores que compõem o
Senado Federal
Wed, 30 Jan
2008
É com imensa satisfação que me
dirijo a Vossa Excelência para abordar um tema de altíssima relevância, em que
a Revista Isto É na Edição de 19 de setembro de 2007, dedica em suas páginas 44
e 45, o escândalo em que a OAB secção do Distrito Federal, está mergulhada. Aos
dirigentes das OAB’s nosso repúdio e a nossa tristeza
em visualizar tais dirigentes serem tão corporativistas a ponto de que o
próprio Poder Legislativo não ter a condição de fazer extinguir tão famigerado
exame de Ordem que macula, conspurca, tisna e denigre a entidade.
A OAB precisa se restringir à fiscalização do exercício
da profissão, abstendo-se do papel de avaliar os cursos superiores, atribuição
exclusiva do MEC. O advogado, no exercício da sua profissão, já é fiscalizado
pelos Magistrados, pelo cliente e pelo advogado da parte contrária e,
principalmente pelo mercado que se encarrega de selecionar ditos profissionais.
Se fizermos um levantamento, facilmente
iremos constatar que uma quantidade expressiva do corpo docente dos cursinhos, espalhados pelo Brasil, é composta de
Presidentes, ex-presidentes e Conselheiros da OAB. Tendo estes o amparo ilegal
de alguns políticos inescrupulosos que visam pura e exclusivamente o seu bem
estar, não cumprindo sequer o dever para o qual foram escolhidos pelo povo,
para defender os direitos de um povo tão sofrido, marginalizado e injustiçado.
No mês de maio/2007, a
Polícia Federal abriu inquérito para apurar fraude no exame da Ordem dos
Advogados do Brasil OAB, em São Luis-MA, mais outra
unidade da federação que ficou refém da corrupção que se alastra
Vossa Excelência sabe
perfeitamente que de forma escandalosa instalou-se a indústria da fraude em
concursos públicos, tendo como resultado o enriquecimento ilícito de poucos.
Circulou na imprensa de que dez pessoas estavam envolvidas com a compra da
prova por R$-15.000,00 (Quinze mil reais) e, segundo consta,
estão envolvidos filhos de Desembargadores, Juizes e outros peixes
grandes, e por conseqüência, depois de muita resistência, a anulação do certame
pela OAB-MA.
Pela Ação Popular (nº 2007/37000044727), o Juiz da 5ª Vara da Justiça Federal,
São os donos de Cursinhos
preparatórios que não querem que sejam extintos os Exames de Ordem, pois estes
vivem do sacrifício dos Bacharéis, e alegam que a maior parte é inapta para
exercer a profissão. Na verdade, existem as Comissões de Concursos que estão
sempre envolvidas em fraudes por venda de provas, como é sempre denunciado pela
imprensa e sabido por Vossa Excelência.
Sabe-se, portanto, que apenas os bacharéis em Direito padecem desse
anacronismo. Os graduados em Medicina, em Psicologia em Odontologia, em
Engenharia, em Farmácia e em Enfermagem, por exemplo, não necessitam se
submeter a qualquer avaliação para serem inscritos em seu órgão de classe. Os
seus diplomas já os credenciam, para que possam exercer suas profissões. Basta,
pura e simplesmente, o diploma universitário, expedido por instituição
reconhecida pelo MEC.
A OAB deveria, e não o faz, ficar limitada somente à fiscalização do exercício da
profissão, abstendo-se do papel de avaliar os cursos superiores, porque é
atribuição do Ministério da Educação e Cultura. Cômodo demais!...
Hodiernamente, não consigo entender
porque as instituições de ensino podem formar médicos, economistas,
engenheiros, biólogos, e para ingressar no mercado de trabalho, não precisem
realizar qualquer exame de ordem ou conselho, mas não possam formar bacharéis
em Direito aptos a advogar?
O tal Exame de Ordem, hoje realizado quatro vezes por ano, gerando uma
excelente receita para a Ordem e um sacrifício para aqueles que se submetem.
Vossa Excelência há de convir, a cada exame se inscrevem cerca de dois mil
candidatos a um valor de inscrição em torno de R$-200,00(duzentos reais),
estamos nos referindo somente a São Luís do Maranhão. É uma imperdível receita.
A Ordem já deixou o seu objetivo e adentrou no mercantilismo, daí a razão
indubitável de ser extinto o mais rápido possível do nosso Ordenamento o tão
lucrativo e nocivo Exame.
Ademais, o poderio da Ordem dos Advogados do Brasil em assumir
ilegitimamente a função de fiscalizar o ensino superior brasileiro, exercendo
indevidamente as prerrogativas do Ministério da Educação e Cultura, das
faculdades e das universidades do Brasil, isto tem que acabar e, somente
senadores e deputados, como legiferantes, possuem o poder de regularizar,
extinguindo o tal Exame de Ordem que possibilita ao bacharel em Direito o
exercício da Advocacia.
O exercício profissional sempre teve e sempre terá um lugar cativo no
mercado de trabalho. Deixemos que a sapiência do mercado selecione os melhores
- é assim que se procede na vida, e, no ccotidiano.
Estatística de maio/2007 (site da OAB), assegura que um milhão e novecentos
mil bacharéis em Direito estão condenados ao exercício de funções secundárias,
diversas daquela para a qual se graduaram nas Universidades apesar do custeio
de curso elevado.
Vossa Excelência é sabedor, não há previsão legal para que uma instituição
auxiliar, no Estado brasileiro, substitua o próprio Estado na avaliação das
faculdades de Direito. A OAB atua dessa maneira; ilegalmente, sem obedecer à
ordem Constitucional.
Conquanto, disparatada a situação; resulta em graves prejuízos aos direitos
básicos dos bacharéis em Direito que permanecem em inconfortável flanco após a
formatura. Não podem exercer a advocacia por impedimento do órgão de classe a
que pretendem se filiar e nem podem atuar como estagiários, por não serem mais
estudantes de Direito.
Concluímos dizendo que
necessitamos de políticos com a estirpe de Vossa Excelência, signatário de um
projeto de altíssima relevância, que é a extinção do Exame de Ordem, que
abraçou esta causa em favor dos menos abastados, que não podem pagar aos
corruptos R$-15.000,00(quinze mil reais), na compra de provas que já se tornou
prática de enriquecimento ilícito daqueles que compõem as OAB’s de todas as
unidades da federação, fazendo valer a nossa Constituição, extinguindo o que é
Inconstitucional banindo do nosso Ordenamento, fazendo cumprir o que está
esculpido no artigo 5º, inc. XIII. Naturalmente ainda se justifica a
sobrevivência desta afronta a Constituição pela razão pura de trazer
conveniências a poucos e sacrifícios de cerca de dois milhões de bacharéis que
não podem exercer a profissão. Ademais, faço coro com vossa Excelência para
partilhar naquilo que estiver ao meu alcance no sentido de darmos fim a um
imensurável sofrimento por parte daqueles que necessitam, legitimando assim o
cumprimento da nossa Ordem Constitucional. È imperioso o acompanhamento junto
ao relator Senador Magno Malta, uma vez que este é contrário à extinção do tão maléfico
Exame de Ordem, como também, vigilância permanente ao Senador Walter Pereira, e
outros, que são literalmente contra a sua extinção, e, que tal Exame se mantido
é uma excrescência medieval, além de afrontar a nova Ordem Constitucional do
País.