Exame
para todos
José Medeiros - suplente de deputado federal/PPS e acadêmico
de direito
hade@bol.com.br
14 de maio de 2007
Não vejo qual a relação entre a má qualidade do ensino nos
cursos de direito e o exame da ordem, colocada pelo presidente da OAB, senhor Faiad.
Se o ensino é precário,
então todos alunos estão mal formados, logo não vai ser o exame que os vai
melhor capacita-los. Quanto a qualidade do
profissional o mercado regula.
Não é o exame da OAB que vai
provar se o ensino está bom ou ruim, até porque todo mundo conhece o histórico
da CESPE/UNB (examinadora da ordem), as provas dessa instituição são conhecidas
por serem recheadas de pegadinhas, mesmo antes de ser a CESPE quem fazia o
exame da ordem, a prova da OAB já era uma pista de obstáculos e ai entra o
fator sorte, e a roleta todo mundo sabe, só pende pra o lado da banca.
A OAB esta rasgando a constituição ao impedir o livre
exercício da profissão, a advogados legalmente habilitados a
exerce-la, pois quem qualifica é o currículo mínimo definido pelo MEC.
Em um país sério o ministério da Educação já teria banido
esse exame lesa pátria.
A imprensa poderia ter um papel importante, principalmente
tendo o cuidado de ler a mensagem subliminar por traz dos releases
enviados pela OAB.
Até a Globo está caindo no conto da OAB, notem os senhores
que em quase todas as aparições da OAB o pano de fundo é sempre a qualidade do
ensino e logo em seguida quase que sub liminar é citado a necessidade do exame da Ordem.
O exame da ordem virou uma galinha dos ovos de ouro serve a trez propósitos, encher os cofres da OAB, reserva de
mercado, fomento da industria de preparação para o
próprio exame.
Para sustentar o exame a OAB está constantemente abastecendo
a grande mídia enxovalhando a qualidade do ensino, premissa principal do
sofisma criado para justificar a existência do exame.
A OAB posa de estilingue, acusa mas
não propõe solução se mostra incompetente até para elaborar o próprio exame
(contratou a UNB).
Este caminho é perigoso, o papel da OAB não
é este, o caminho é outro, avaliar os cursos e fechar faculdades, bem como
dificultar a abertura de cursos é papel do MEC, a OAB pode e tem legitimidade
para cobrar isto, no entanto me preocupa esse conselho se arvorar de um papel
que é deve ser do estado, isso abre um precedente muito perigoso.
A OAB não deve exercer esse papel
porque tem interesse direto na questão, é como se você abrisse uma mercearia e
seu concorrente mandasse você fecha-lo, sob o argumento de que você não está
atendendo os clientes adequadamente, está na cara que a OAB não está
interessada em qualidade coisa nenhuma está interessada em impedir a explosão
de advogados no mercado.
Se a OAB realmente estivesse querendo excelência estipularia
esse exame para todos os seus afiliados de 4 em 4 anos, não quero colocar em
cheque o conhecimento do presidente da OAB-MT e de seus pupilos, mas
dificilmente eles topariam o desafio de fazer esse exame em frente a uma
comissão independente.
É o caso típico dos que atam o lombo alheio com fardos pesados,
que eles não se atrevem ao menos tocar com os dedos.
Mas tá certo, farinha pouca meu
pirão primeiro.