EXAME
PARA ADVOGAR NOS EUA É ADMINISTRADO PELO ESTADO E CONTROLADO PELO JUDICIÁRIO
03.10.2011
Fonte: Oduvaldo
G. Oliveira - Jornalista (1659MT-DRT/MTE)
http://www.revistabrasilia.com.br/?pg=desc-noticias&id=15678
No Brasil, o estudante de Direito, após
cinco anos de faculdade, mesmo após receber o diploma de conclusão do curso, só
poderá advogar se for aprovado no chamado Exame de Ordem, exigido pela Ordem
dos Advogados do Brasil - OAB. Para quem não sabe, este exame é totalmente
controlado pela OAB e não tem qualquer participação, avaliação ou fiscalização
do Estado e do Poder Judiciário e muito menos do Tribunal de Contas da União.
O Exame da OAB é uma imposição que existe
desde 1996 e tem impedido que mais de 800 mil bacharéis entrem para o mercado
de trabalho, apesar de terem seus diplomas reconhecidos pelo Ministério da
Educação e validados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação e pela Constituição
Federal.
Como justificativa, a OAB tem alegado que
o exame é feito em inúmeros países, inclusive nos Estados Unidos e, por isso,
deve ser mantido no Brasil. De fato, nas principais nações o exame é aplicado,
sendo muito fácil encontrar informações na internet: http://en.wikipedia.org/wiki/Bar_examination).
Na comparação com o Exame feito nos EUA,
logo de início a diferença é gritante: Lá tudo é feito pelo Estado e sob o
controle total do Judiciário, obedecendo rigorosamente aos princípios morais,
éticos e constitucionais daquele país. Eles levam tão a sério esta questão, que
o processo de preparação do aluno para advogar, começa desde o primeiro ano de
faculdade.
O jovem americano, depois de formado num
curso de três anos em tempo integral, com provas também aplicadas pelo Estado,
tem que passar no “Bar Examination”, para ser admitido à “bar”. (este termo
significa “barra” ou “portão” - aquele que separa o público dos advogados, promotores
e juiz, num tribunal. Ao ser aprovado no exame, o candidato é admitido à barra,
isto é, poderá atuar dentro do espaço delimitado pela “barra”).
O “Bar Examination” é um exame
administrado pelos Governos Estaduais – cada um tem as suas regras – e pode ser
supervisionado e controlado pela Suprema Corte, pela Corte de Apelação ou pelo
Tribunal Superior Estadual. Isto é, a participação do Judiciário é essencial e
imprescindível.
Embora existam dezenas de associações e
ordens de advogados - no Texas, p.ex., existe uma ordem de advogados
especializados em direito indígena -, nenhuma delas tem ingerência ou qualquer
tipo de participação na execução, condução ou fiscalização dos exames. Elas
apenas defendem interesses privados e associativos de seus membros.
Já se vê aí a grande diferença: nos
Estados Unidos o exame é aplicado pelo Estado, sob a vigilância do Poder
Judiciário! No Brasil, é aplicado por um conselho de classe, com interesses
privados e sem qualquer controle, fiscalização e prestação de contas para o
Estado e muito menos para o Judiciário ou para o Tribunal de Contas!
O sistema americano admite vários tipos de
exames e com características muito próprias, variando em cada Estado. Não
caberia aqui, detalhar todos eles.
Mas vale analisar o “Multistate Bar
Examination – MBE”, aceito na maioria dos Estados americanos e que, em uma de
suas versões, é composto por 200 questões de múltipla escolha, que devem ser
respondidas em seis horas, divididas em dois períodos de três horas. Embora
tenha mais questões do que o Exame da OAB, a prova americana não pode ter
“pegadinhas” ou alternativas mal elaboradas. Todas as questões são
desenvolvidas por Comitês Estaduais de Redação, compostos por peritos
reconhecidos nas diversas áreas temáticas do exame. Antes de uma questão ser
selecionada para compor o exame, ela sofre um processo de revisão de vários
estágios, ao longo de vários anos! Isso mesmo: vários anos!
Além de uma revisão intensiva pelos
membros do Comitê Estadual, cada pergunta é revisada por especialistas
nacionais e estaduais. Todas as questões do exame devem passar com sucesso por
todos os comentários e análises, antes de serem incluídas no exame!
O Multistate Essay Examination – MEE,
feito obviamente em outro dia, é uma prova discursiva de 9 questões, onde o
candidato responderá 6, num prazo de 30 minutos para cada uma. Nesta prova o
aluno pode levar, entre outras coisas, até dois travesseiros, estante para
livros, apoio para os pés e, pasme!: um notebook com conexão à internet para
baixar o exame e responder as questões via on line!
O que se revela é que o Exame americano
não é feito para eliminar candidatos ou controlar o mercado de trabalho! Não
existem truques e nem qualquer tipo de indução ao erro! O aluno é preparado
para fazer o Exame e lhe são dadas todas as condições para fazer uma prova
justa e satisfatória, sem estresse.
Ainda em relação às características do
exame americano, vale lembrar que cada Estado tem uma Agência ou um Comitê da
mais alta Corte do Estado ou Tribunal. No Texas, por exemplo, o Conselho de
Examinadores é nomeado pela Suprema Corte.
Vale destacar que no Estado
de Wisconsin existe o chamado Privilégio do Diploma, que é justamente o
reconhecimendo do Diploma do bacharel, que pode advogar sem fazer o exame. No
Estado de New Hampshire, em 2005, foi lançado o
“Daniel Webster Scholar Honors Program”, um programa de certificação
alternativa, onde estudantes que se formam a partir do programa, estão isentos
de fazer o exame.
O que se depreende é que
nos Estados Unidos a elaboração, aplicação, fiscalização, controle e prestação
de contas do Exame para admissão na advocacia envolve diversos órgãos do
Governo, tudo sob os auspícios do Poder Judiciário. Não há suspeitas sobre a
lisura do exame e a correção é feita dentro dos mais elevados padrões de
transparência e legalidade.
Bem diferente daqui do
Brasil, onde tudo é feito pela OAB, sem qualquer ingerência e controle externo.
É inevitável á pergunta: qual dos dois sistemas é justo, ético e transparente?
Em relação ao sistema
adotado nos países europeus temos o seguinte: basicamente, na maioria dos
países - Itália, França, Inglaterra, Alemanha, Portugal entre outros – os
cursos de direito duram tres anos e, após formado, o candidato faz até dois
anos de estágio em um escritório de advocacia, antes de fazer o exame. Nestes
países, também é o Estado que administra e fiscaliza o exame, com a supervisão
do poder Judiciário. Não há nenhuma ingerência de ordens ou associações de
advogados.
Comparando com o Brasil, o
que se percebe é que o nosso sistema de admissão de advogados foi,
errôneamente, delegado à OAB, sem qualquer participação do Estado no processo.
Isso permitiu as mais diversas irregularidades, indo desde a elaboração da
prova, passando pela aplicação, até a correção, sem haver compromisso com a
transparência e com as boas práticas administrativas.
A solução para o problema é
o Estado assumir, através do MEC as suas prerrogativas de administrador e
normatizador do ensino superior no País, estabelecendo novas regras, que
contemplem a participaçao do Judiciário, elaborando um exame justo, legal e
transparente, visando a qualificação dos novos advogados.
Todas as
informações deste artigo estão disponíveis nos links abaixo:
https://secure.ncbex.org/uploads/user_docrepos/MBE_ib_101110.pdf
https://secure.ncbex.org/uploads/user_docrepos/2011_CompGuide.pdf
Pergutas
dissertativas da prova MEE MULTISTATE ESSAY EXAMINATION
https://secure.ncbex.org/uploads/user_docrepos/mee_ib_2011_101110.pdf
http://admissions.calbar.ca.gov/LinkClick.aspx?fileticket=K68CX0A6geM%3d&tabid=250
http://admissions.calbar.ca.gov/LinkClick.aspx?fileticket=WzPjnH8OwFo%3d&tabid=250
http://en.wikipedia.org/wiki/Bar_(law)
http://en.wikipedia.org/wiki/Admission_to_the_bar_in_the_United_States
http://www.alabar.org/admissions/files/2011admission-rule.pdf
http://www.alabar.org/admissions/files/AdmissionRulesRegbooksept2009.pdf
Regras da Suprema
Corte do Alabama
http://www.ncbex.org/uploads/user_docrepos/2011_CompGuide_03.pdf
http://jus.com.br/revista/texto/10274/direito-e-educacao-juridica-nos-estados-unidos
Regras e características do curso para
advogar na Inglaterra (barrister)
http://www.barstandardsboard.org.uk/Educationandtraining/aboutthebvc/
http://en.wikipedia.org/wiki/Bar_Professional_Training_Course