ESTUDANTES PODERÃO
RECORRER À JUSTIÇA
http://www.jurid.com.br/new/jengine.exe/cpag?p=jornaldetalhejornal&ID=52025&Id_Cliente=53811
O presidente nacional
da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, afirmou hoje (27) que os
estudantes de Direito que receberam ensino de má qualidade poderão recorrer à
Justiça para recuperar os gastos com matrícula e mensalidades pagas às
instituições, pelo período em que freqüentaram os cursos. A afirmação foi feita
por Britto durante o lançamento pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, na
sede do MEC, dos dados estatísticos sobre resultados da supervisão exercida
pelo Ministério nos cursos de Direito. "Quem foi ludibriado ou caiu no
conto do vigário educacional tem agora dados objetivos para buscar reparação:
tem os dados do Exame de Ordem e do Enade (Exame
Nacional de Desempenho dos Estudantes), comprovando que o erro não está no
aluno, mas sim na instituição que não cumpriu o que prometeu".
Britto disse que aqueles que foram prejudicados podem entrar com ação judicial
contra a instituição de ensino que lhe prometeu mas não lhe forneceu um ensino
de qualidade - e para tanto pode usar como base os levantamentos do MEC e da
OAB. "Há aí uma relação de consumo e, se o serviço não foi prestado com
qualidade, pode haver uma reparação por esse mau serviço", explicou o
presidente nacional da OAB.
Para ele, de posse dos dados do MEC sobre o mau desempenho das instituições de
ensino jurídico - o Enade e o Índice de Desempenho
Desejado - e os resultados do Exame de Ordem da OAB, o aluno poderá entrar na
Justiça com ação por perdas e danos. "Na ação pode-se discutir não só a
parte objetiva, que é a devolução da matrícula e das mensalidades, mas também a
indenização por danos morais, pelo tempo perdido em que se estudou
cinco ou seis anos e não conseguir fazer valer depois o diploma que lhe
concederam", observou.
O presidente nacional da OAB disse também que, diante do trabalho em parceria
que está sendo desenvolvido com o MEC na área dos cursos de Direito, "vai
mudar não só o marco regulatório, mas o marco
comportamental, pois a partir do momento em que as instituições se comprometem
a reduzir vagas e aumentar a qualidade, já se começa a ter um bom sinal de que
as coisas vão mudar".
De acordo com os dados divulgados pelo ministro da Educação, Fernando Haddad,
em 11 meses de supervisão de 81 cursos de Direito - iniciada a partir de
denúncia do Conselho Federal da OAB contra a má qualidade desses cursos - houve
uma redução de 54% das vagas ofertadas. De um total de 45.042 oferecidas, foram
cortadas 24.380 vagas - informou o ministro. Segundo ele, em janeiro deste ano
29 cursos assinaram termos de saneamento de deficiências com o MEC.