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Ensino
Superior: Setor que clama por maior autonomia e menos burocracia http://www.folhadirigida.com.br/htmls/hotsites/suplemento_2007/Cad_03/Pag_32.html |
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Caso do Direito, em que a OAB aplica seu exame de ordem aos
formandos, somente evidencia o que as estatísticas têm sugerido: poucos têm
sido os resultados práticos dos sistemas de avaliação do ensino no Brasil.
Uma ineficácia que abre espaço para a intervenção de órgãos de classe, como o
que representa os advogados |
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Bruno Garcia |
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De tempos em tempos, uma mesma polêmica volta a circular
entre representantes da comunidade acadêmica e dirigentes de entidades
ligadas à educação: a regulamentação do ensino superior brasileiro realmente
funciona? Até que ponto pode-se confiar nas avaliações promovidas pelo
Ministério da Educação (MEC)? Há o devido controle no processo de autorização
de cursos? Para representantes de entidades profissionais, como a Ordem de
Advogados do Brasil (OAB), o governo não utiliza com o devido rigor sua
legislação regulatória. Para o presidente nacional da OAB, Cezar Britto, a excessiva
proliferação de cursos com objetivos puramente mercantilistas apenas
prejudica a sociedade como um todo. “O ensino jurídico precisa deixar de ser
uma grande fábrica de mercantilização de sonhos, frustrando os sonhos de
ascensão social”, sustentou Britto, observando que nos últimos anos houve
aumento de 2.533% no número de inscritos no Exame de Ordem. Números da
entidade revelam ainda que, nos últimos dez anos, o número de cursos
jurídicos aumentou em 300%. Para CNE, discussão perdeu o foco Para o presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE),
professor Edson Nunes, a discussão sobre controle de qualidade perdeu o foco.
O educador discorda de que o problema seja ausência de regulação. E também
que as entidades profissionais tenham o direito de dizer quais e como as
faculdades e cursos devem funcionar. “Esta
participação de entidades profissionais é deletéria. Eles deveriam cuidar
apenas do acesso às profissões, mas, ao invés disso, querem impor como as
universidades devem ensinar, querem dizer ao governo quem deve ser autorizado
ou não, enfim, é uma esquizofrenia institucional. E fica difícil separar as
entidades profissionais desta discussão, na medida em que as próprias
universidades adotam todo um modelo de ensino profissionalizante, o que não
deveria ser papel de uma universidade em seu sentido exato”,
explica. Entre dirigentes e membros do setor educacional, as
opiniões se dividem. José Raymundo Romeo, representante da Universidade das
Nações Unidas (UNU), afirma que é necessária uma mudança profunda na
legislação brasileira sobre o setor, além de defender alterações também na
estrutura curricular dos cursos. “Nossa legislação é da década de 1960. E
embora ela tenha passado por inúmeras mudanças e alterações, em sua base
continua sendo a mesma. Precisamos, sim, de uma verdadeira reforma. Algumas
pessoas buscam formação mais para o mercado, outras buscam uma base mais
aprofundada, a pesquisa, etc. Logo, devem haver formações diferenciadas. Acho
que a nossa grade curricular foi importante no passado, mas ela precisa ser
atualizada”. Já Magno Maranhão, superintendente educacional da Fundação
Souza Marques, acredita que a legislação brasileira não precisa de mudanças.
Para Maranhão, a ausência de uma política de Estado é o fator que prejudica.
“Veja que os itens da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) sequer
foram cumpridos e já pensamos em mudar tudo”, reclama. Com relação ao
processo de autorização de cursos, o professor deixa claro que se a
instituição cumpre todos os requisitos, pela legislação atual não há como
negar o pedido. Maranhão apenas faz uma ressalva com relação a supostos
interesses puramente econômicos, que em alguns casos acabariam prevalecendo. Nelson Mello e Souza, vice-chanceler da Universidade
Estácio de Sá, é outro que questiona o modelo de avaliação. Segundo ele, o
Enade é uma prova estranha que não está capacitada para medir a qualidade de
um curso. “O Enade é descompassado, avalia o Joaquim que entra na faculdade e
depois avalia a Afonsinha que sai, ou seja, não se sabe qual o aproveitamento
de ambos ao longo do período de estudos”, critica. Sobre a possibilidade de
que cursos mal avaliados sejam fechados, Mello e Souza diz que o governo
cometerá injustiças. “Serão injustiças homéricas, pois o Enade não avalia
nada. Para Nival Nunes, contudo, o modelo de avaliação com o
tempo será aperfeiçoado. Fechar cursos, no entanto, depende de inúmeros
outros fatores, não apenas do Enade. “O que acontece é que o curso, às vezes,
tira E no Enade e tira muito bom na avaliação in loco. Cada caso é um caso,
mas percebo que o sistema está muito melhor do que antes”, explica o
dirigente. |
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No meio do debate, estão os estudantes do ensino médio e
seus familiares, que precisam definir que carreira seguirão e principalmente,
onde farão o curso. FOLHA DIRIGIDA conversou com alguns vestibulandos para
saber quais critérios eles utilizam na hora da escolha. |
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“Avalio muitos fatores, mas sabemos bem que as públicas
normalmente têm um desempenho melhor que as particulares. Isso é fato. De
qualquer forma, não costumo verificar resultados de qualquer tipo de
avaliação do governo, como o Enade, por exemplo. Costumo perguntar para
pessoas que já estudaram em determinadas faculdades ou cursos para saber a
opinião deles. Gosto de saber principalmente sobre a estrutura que o curso
oferece para os estudantes, pois na minha opinião isso é o mais importante.” |
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“Procuro acompanhar, sim, o desempenho das faculdades no
Enade. Também procuro avaliar por minha conta: busco informações na internet,
com amigos que já estudaram lá e até mesmo tento visitar a faculdade em
questão para conhecer de perto sua estrutura. Acho que é importante que as
pessoas conheçam bem onde pretendem estudar para somente depois tentar uma
vaga. Estudar em um curso com avaliação ruim pode ser um grande desperdício
de tempo e dinheiro, já que o diploma não terá tanto valor no mercado de
trabalho.” |
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"No meu caso, vou tentar Medicina, mas estou muito
interessado em seguir na área de pesquisa. Portanto, meu critério na busca
por uma faculdade é a sua atividade científica, a avaliação de seus programas
de pós-graduação na Capes, etc. Quero tentar para a UFRJ e realmente busquei
informações a respeito. Sei que eles são muito bons neste campo, por isso
estou decidido a tentar uma vaga na federal. Com relação ao resultado do
Enade, não acompanhei as últimas avaliações, mas sei que o curso é de
qualidade.” |
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“Eu pesquisei bastante e já fiz a minha escolha. Como
pretendo cursar Direito, quero passar para a Uerj. Pelo que sei, ela está
entre os melhores cursos de Direito do país. Minha segunda opção seria a UFF.
Busquei saber do desempenho destas instituições no último Enade e também
procurei saber de pessoas que já estudaram lá e de professores. Sei que um
diploma valorizado conta muito na hora de concorrer a uma vaga no mercado de
trabalho. Em alguns escritórios, determinados diplomas são rejeitados de
cara.” |
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Como
funciona o processo de autorização? |
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Todo o processo de autorização e criação de cursos e
instituições de ensino superior é regido pela Secretaria de Educação Superior
(Sesu) e pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). O ato de criação é
restrito às universidades e centros universitários. Após terem seu
funcionamento autorizado, estes possuem autonomia para criar novos cursos. Já
as instituições não-universitárias - faculdades integradas, faculdades,
escolas ou institutos superiores - precisam de autorização para cada curso,
após o reconhecimento de seu funcionamento. Neste caso elas devem submeter as
suas propostas de criação dos cursos de graduação a instâncias superiores -
Sesu e CNE, quando forem instituições públicas federais ou privadas. Já as
instituições públicas estaduais e municipais deverão submeter seus pedidos de
abertura de cursos aos respectivos Conselhos Estaduais de Educação. No
decorrer de todo este processo, tanto Sesu quanto CNE avaliam se as
instituições e cursos atendem aos critérios mínimos exigidos em lei para
funcionar. |