Enade é criticado por reitor da Unama

Nível superior

O Liberal, 25.11.2007

 

Edson Franco diz que avaliação do MEC é feita de forma equivocada

Vítima da avaliação negativa do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), que condenou o curso de graduação em Direito oferecido pela instituição de ensino superior, o reitor da Universidade da Amazônia (Unama), Edson Franco, se defende. Diz que o Ministério da Educação (MEC) se equivocou, misturando resultados do Enade com os do Exame de Ordem da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). E que há uma disputa velada do MEC com o ensino superior particular.

'O MEC, acabando com o ‘Provão’ do governo FHC (Fernando Henrique Cardoso), não teve a coragem suficiente para implantar o que em muitas nações existe, que é o Exame de Estado. Preferiu ficar pela metade do caminho e criou um tipo de exame que analisa os alunos ingressantes e os concluintes para avaliar os cursos superiores', analisa o reitor. Veja a seguir, a entrevista de Edson Franco:

O MEC acabou de condenar 60 cursos de Direito do Brasil, incluindo o da Unama. O que o senhor vai fazer?

Em primeiro lugar, fazer o MEC refletir que errou e errou feio. As notícias veiculadas dizem que o MEC juntou resultados do Enade a resultados do Exame de Ordem da OAB. A OAB já contestou em nota oficial. Os números da Ordem são outros, completamente diferentes daqueles que o MEC encontrou, começando daí o problema.

Em segundo lugar, há uma lei de avaliação dos cursos e essa lei exige quatro modalidades de avaliação, dentre elas a do Enade. O MEC fez vista grossa para a lei e apenas se valeu do Enade, com supostos resultados da OAB. Pisou feio na bola, mas não quer dar o braço a torcer.

Em terceiro lugar, apontamos os conceitos existentes do nosso curso de Direito. Somos a única escola no Brasil que possui cinco Juizados Especiais e um Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça. Nem os cursos de Direito das instituições públicas tem isto assim. Fizemos chegar ao MEC cópia do 'Selo de Qualidade' do curso de Direito dado pela OAB Nacional, com validade até 2007, inclusive. Somos excelentes em tudo? Claro que não, mas não somos o que o MEC propagou com dano moral efetivo para a Unama. Só o governo não paga por danos morais cometidos.

E agora o que o senhor acha que o MEC vai fazer?

Para não se desmoralizar, o MEC vai mandar visitar todos os cursos 'condenados'. Aí será a nossa glória. Vamos publicar os resultados da comissão que vier, se ela não quiser fazer 'segredinho' da verdade. Quem tem consciência tranqüila não fica com medo. O que acontece é que o MEC está sofrendo de uma certa 'dengue ideológica' e para mostrar a qualidade do ensino que ministra divulga tudo o que pode contra o ensino superior particular.

Como o MEC considera o ensino superior particular?

Penso que o MEC de hoje está vendo apenas dois figurinos na composição do ensino superior privado. Um é o dos investidores, uns comprando os outros. O outro é o dos bandidos, aqueles que fazem de conta. Há, entretanto, um punhado de educadores muito maior que o grupo dos investidores e o dos supostos bandidos. Os investidores são tratados com respeito e os educadores verdadeiros são sacos de pancada como se fossem bandidos. O MEC não tem critérios para distinguir a seriedade dos educadores. E o pior é que o próprio governo federal não acredita no ensino superior particular. Para que vale o 'Guia do Estudante', o selo da OAB, os prêmios ORM/ACP (Organizações Romulo Maiorana e Associação Comercial do Pará), a nossa integração num Protocolo de Instituições de Ensino Superior Públicas e Particulares e a consideração do público em geral?

A Unama é marcada por organização e regularidade. Como o senhor vê isto quando o problema é qualidade?

Qualidade total a gente só encontra em livros. Sempre que fazer muito mais. Hoje nós temos mais de 50% dos nossos professores com mestrado e doutorado, inclusive a maioria deles com bolsas dadas pela própria Unama. Ocorre que professor não é só uma questão de titulação. É também uma questão de vocação. Nossos abnegados professores estão se esforçando para avançar em qualidade. Quanto à organização é verdade que a Unama é até muito caxias nessa área e temos feito tudo o que é possível para sermos regulares nos nossos procedimentos. Não inventamos tanto, mas não somos uma instituição meramente conservadora.

Agora a Unama está chamando seus antigos alunos. Com que finalidade?

Estamos recadastrando nossos antigos alunos. Afinal são mais de 48 mil e queremos saber o que estão fazendo já que temos muitos membros dos Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo. Muitos já são desembargadores, secretários de Estado, deputados e vereadores. Reunimos no último dia 20, com a nossa Associação de Antigos Alunos, e oferecemos um presente para eles. Além dos quadros de formatura que são muitos, nós queremos inscrever os nomes ilustres desses antigos alunos nas nossas dependências, como Harvard faz.