EXAME
PERTO DO FIM
Armando
Acioli
Jornal O
Popular (Goiás)
07.10.2008
No artigo
de 27/5/08 analisamos o teor inconstitucional e excepcional do Exame de Ordem
da OAB. Hoje vamos nos referir ao projeto de lei 186/06, de autoria do senador Gilvam Borges (PMDB-AP). O projeto do senador do Amapá
altera os artigos 8º, 58 e 84 da Lei 8.906, de julho de 1994, para abolir o
Exame de Ordem, que é exigido para se inscrever como advogado na Ordem dos
Advogados do Brasil. Pelo artigo 1º do referido projeto, o inciso II do artigo
44 da Lei 8. 906, de 4/7/94, passa a vigorar com a
seguinte redação: “promover, com exclusividade, a representação, a defesa e a
disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil”.
O projeto
de lei, que deverá ser acolhido na Comissão de Constituição, Justiça e
Cidadania do Senado, dispõe no seu artigo 3º: Ficam revogados o inciso IV e o
parágrafo 1º do artigo 8º, o inciso VI do artigo 58 e o artigo 84 da Lei 8.906,
de 4 de julho de 1994. Entre outros argumentos, o senador justifica a revogação
do Exame de Ordem da OAB, afirmando: “Se, por um lado, tentar-se argüir que a
intenção do assim chamado Exame de Ordem seria avaliar o desempenho das
instituições de ensino, não nos parece razoável que o ônus recaia sobre o
aspirante a advogado, ainda mais porque o Ministério da Educação já se
responsabiliza pela aplicação do Exame Nacional de Cursos com esse objetivo”,
explica ele.
Também é
imperioso que o Movimento Nacional dos Bacharéis em Direito se mobilize para
ingressar no Supremo Tribunal com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) do artigo 8º, inciso IV, inserido no Estatuto da
classe. Ele é que impõe a aprovação no exame para se inscrever nos quadros da
OAB.
Aliás, o
Movimento Nacional dos Bacharéis em Direito, que reúne milhares deles, luta em
todo o País para banir a discriminatória prova. Vejamos alguns depoimentos de
repúdio ao exame. O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ)
adverte: “O Ministério da Educação não deve permitir que os brasileiros sejam
impedidos de exercer uma profissão para a qual se formaram. Na hipótese de o
curso superior ser insatisfatório, acredito que o
bacharel poderá aperfeiçoar seus conhecimentos na prática profissional”,
pondera.
Do promotor
de Justiça Pedro Oto de Quadros: “O Exame de Ordem é inconstitucional. O livre
exercício da profissão é garantido pela Constituição”. Para o deputado Max Rosenmann (PMDB-PR), “o exame é uma reserva de mercado.
Isso não se justifica, pois pelo tamanho do País há muitas oportunidades de
trabalho. Precisamos combater o exame em favor da democratização do trabalho. A
velha OAB, que defendia a democracia, já foi enterrada”, enquanto o deputado
Edson Gonçalves (PV-BA) afirma: “A OAB não tem competência constitucional para
avaliar cursos universitários. Não é apenas uma questão de reserva de mercado,
mas também um princípio ideológico para manter privilégios”, enfatiza.
O
presidente do Movimento Nacional dos Bacharéis em Direito (MNDB), Emerson
Rodrigues, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação
Participativa, verberou: “O Exame de Ordem não aprova nada, massacra os
bacharéis e serve apenas para engordar os ‘bolsos’ dos cursinhos. Se os cinco
anos não conferem qualificação, como uma única prova pode conferir?”, indaga ele. O presidente estadual do Movimento Nacional dos
Bacharéis em Direito (RS) , Itacir Flores, declara
que a “OAB está promovendo a privatização e a elitização da profissão ao exigir
o exame para habilitação de advogados”. Membro do MNDB, João Antônio Volante
diz: “Com o exame, a OAB cerceia o direito do cidadão ao exercício
profissional”.
O deputado
estadual Flávio Bolsonaro (PP-RJ) vê a prova da OAB
como mecanismo para “aterrorizar os bacharéis em Direito”. Aprovado no exame,
ele disse que vários de seus colegas, “todos bem preparados, não conseguiram a
aprovação e ficaram prejudicados no exercício da profissão. A OAB não tem
condições de fazer avaliação”, sustenta o parlamentar.
Tendo por
relator do projeto de Gilvam Borges o deputado Magno
Malta (PR-ES) e com a mobilização do Movimento Nacional dos Bacharéis em
Direito, tudo indica que o inconstitucional Exame da OAB está perto do fim.