EXAME
DE ORDEM: ESCRAVATURA ILEGAL
Escravos
modernos sem Direitos, sem Alma e sem Rumo.
Reynaldo
Arantes
19.12.2007
Desde
os primórdios da humanidade, o homem inventa maneiras de subjugar seu
semelhante e de conquistar o melhor naco para si. Nestes milênios de história
registrada, a evolução mudou as cidades, encurtou distâncias, nos levou a
Marte, mas ainda há “homos sapiens” que continuam sendo o mesmo animal racional
mesquinho que busca de todas as maneiras galgar as cabeças de seus semelhantes
e reinar absoluto. A OAB reina hoje absoluta no Brasil.
Para
os colegas juristas mais puristas e ingênuos, que acreditam no Estado
Democrático do Direito e na Justiça, eu peço um momento de reflexão: Após a
decisão histórica e política do Ministro Eros Grau na ADIN
Como decisão judicial não se discute: se
cumpre, a OAB atualmente não tem quem a fiscalize, não tem a quem dar
satisfações, não tem limites legais a cumprir, nada de deveres e todos os
direitos que achar que dispõe. Se fossemos lembrar de Aristóteles e da partição
do poder estatal, a OAB moderna seria o novo “Poder Moderador” Imperial,
dividindo o poder com o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, a exemplo do
que aconteceu no Brasil Império. Assim, só resta reclamar para o Papa sobre:
-
A OAB não abrir seus livros contábeis, afinal, as anuidades que cobra não são
mais verbas parafiscais já que ela não é autarquia;
-
A OAB contratar seus servidores através de apadrinhamento e não de concurso
público, afinal, ela não é autarquia;
-
A OAB não ter regras claras para indicar profissionais para o quinto
constitucional e, sempre indicar listas sêxtuplas com nomes de ex-conselheiros
e presidentes para Juízes de Tribunais Superiores, afinal, onde estão os
deveres da OAB???
-
A OAB exigir Exame de Ordem aos bacharéis em Direito para deixar eles
advogarem, afinal, se ela OAB está acima da Constituição, o que adianta estes
bacharéis demonstrarem que o Exame é inconstitucional formal e materialmente???
Com
a decisão do Ministro Eros Grau, a pergunta que fica é: O que é a OAB hoje?
Quais seus deveres e Direitos? Quem a fiscaliza? Que legislação se aplica a
ela? Se ela não é Autarquia de Fiscalização de Exercício Profissional, o que
ela é?
Para nós, bacharéis em Direito, a OAB é ao
mesmo tempo, senhora de nossos destinos, feitora cruel e carrasca de nossas
vidas profissionais. Ela e não a Constituição, diz quem pode advogar, Ela
informa a sociedade através da Mídia que as Universidades são ruins, o Ensino
deficitário, os bacharéis incompetentes e que o Exame de Ordem separa os
alfabetizados dos analfabetos jurídicos e assim, leva milhões de carreiras
jurídicas ao cadafalso.
Interessante que a OAB e a maioria dos que
foram vítimas de sua lavagem cerebral ao melhor estilo Gobbels, inclusive
ilustres juristas, repetem uma fundamentação pinçada e parcial para justificar
o Exame de Ordem. Dizem eles: O artigo 5º, inciso XIII é uma norma de eficácia
contida, pois diz que o exercício é livre ressalvadas as qualificações
previstas em lei e esta lei, é a 8.906/94, que diz que para advogar o bacharel
precisa ser aprovado no Exame de Ordem. Aí, se esquecem que o artigo
Constitucional citado diz “Qualificação” prevista em Lei, se esquecem que a
Constituição em seu artigo 205 diz que Qualificação é conferida pela Educação e
que exame é “requisito” previsto em lei infra constitucional e pior, que sua
regulamentação não se deu por Decreto Presidencial como prevê o Artigo 84, IV
da Constituição para que tivesse validade formal.
Destarte, dois milhões de bacharéis em
Direito seguem escravizados no Brasil. Fazem trabalhos subalternos, recebem
esmolas e são párias da advocacia, pois quando são acadêmicos ainda podem ser
estagiários, mas ao se formarem nada são ou podem ser, até passarem no referido
exame de ordem. Não importa sua capacidade jurídica, são expoliados e
explorados por outros advogados se quiserem seguir com a área superior que
escolheram, quando não desistem e partem para outras carreiras e simplesmente
abdicam de sua carreira, da profissão para a qual se qualificaram.
Na Roma Antiga, berço do Direito Moderno,
cidadão era quem nascia em Roma e tinha sua arvore genealógica e deuses
domésticos romanos, os demais eram párias, rés (coisas). O mesmo discurso foi
aplicado aos negros e índios escravizados – eram seres sem alma, animais com
forma humanóide e que existiam apenas para serem subjugados pelo homem branco,
superior e este sim Filho de Deus. Discurso semelhante usou Hitler e sua raça
Ariana, que como tinha mão de obra escrava abundante, mandou à morte judeus,
negros, ciganos e homossexuais e, claro, seus adversários políticos.
Hoje, a OAB age
com a mesma desenvoltura dos romanos, dos colonizadores espanhóis e
portugueses, usa o mesmo método hitleriano: Diz que advogados são só seus
inscritos, que os demais bacharéis são rés, coisas sem alma, sem Direito e só
servem para trabalharem como escravos nos escritórios dos Advogados Brancos e
Arianos que adquiriram este Direito ao passarem no Exame de Ordem ou, na grande
maioria dos casos, por serem bacharéis antes de 1.996 quando o exame não era
obrigatório.
A grande maioria dos advogados não prestou
exame de ordem, pois pela lei 4.215 de 27/04/1963 o exame era para quem não
prestava o estágio obrigatório durante o curso de Direito. Quando o mesmo era
aplicado – inclusive com prova oral – era na Universidade através de convênio
firmado com a OAB e a banca formada por professores que se atinham ao
curriculun acadêmico, bem diferente de hoje, com provas cheias de “pegadinhas”,
com curriculun opcional sendo priorizado, exigindo-se jurisprudência e
pensamento sobre leis de juristas nem sempre em destaque e nem sempre citados
em sala de aula.
Os bacharéis em Direito a partir de 1.972
nem mais faziam tal prova, isto porque, todas as Universidades passaram a ter
em seu currículo obrigatório o “Estágio de prática forense e organização
judiciária” durante os dois últimos anos de faculdade e esta foi a única
exigência prevista na Lei 5.842 de 06/12/1,972 para os bacharéis se inscreveram
na Ordem dos Advogados do Brasil até 1.996. O Exame de Ordem caiu
Não tendo argumentos constitucionais para
convencer sobre a legalidade do exame de ordem e manter os dois milhões de
escravos afastados da liberdade de exercício profissional de função privada –
destaque-se este ponto: função privada – passou a OAB a agir sob orientação de
Gobbels: Difundir à exaustão a mentira, para que a mesma se torna verdade
incontestável.
Assim, atualmente a OAB faz um arremedo de
fundamentação, pinçando – como acima destacamos - as partes que lhe interessam
e que os leigos aceitam por desconhecerem a Constituição Pátria em seu conjunto
e que alguns advogados reverberam por desconhecer a questão ou por má fé
explícita, já que eles são os beneficiados com a reserva de mercado ilegal
imposta pela OAB aos bacharéis com o Exame.
Dizem que a Educação fundamental e básica é
deficitária e mal alfabetiza, que com a expansão do Ensino Superior os
vestibulares não evitam a chegada de milhões incapazes ao ensino superior, que
as Universidades (só em Cursos de Direito) promovem um “estelionato
educacional” (claro que nunca nominam tais instituições), que os bacharéis
formados nada sabem, que são incompetentes e despreparados e que o Exame de
Ordem é necessário para filtrar os competentes e garantir qualidade de serviços
advocatícios.
A OAB repete tal discurso a exaustão e
todos acreditam e elogiam a OAB por sua posição e por seu discurso retórico e
vazio e nem os jornalistas não notam que passaram pelo mesmo nível fundamental
e básico, pelos mesmos vestibulares, pelas mesmas universidades e que eles não
são incompetentes e se inscrevem
Este é outro ponto de inconstitucionalidade
do Exame de Ordem: A quebra do Principio da Isonomia: o bacharel em Direito é o
único que não pode se inscrever
Outro parte do discurso retórico e vazio
dos defensores do Exame é que a advocacia é uma atividade hierarquicamente
igual a de delegados, juízes, promotores, procuradores e defensores públicos e
que para obter tal função, necessita de requisitos especiais. Não dizem que a
advocacia é a atividade privada do bacharel em Direito e que as demais
atividades são cargos públicos para os quais há concursos públicos, previstos
na mesma Constituição da qual selecionam as partes que lhes interessam e
esquecem as demais, o conjunto.
A AOB confia na sua força, no seu poder
econômico, na sua bancada no Congresso Nacional, na sua estrutura rica com as
anuidades que cobra e que não presta contas nem a seus inscritos. Assim, ela
impõe sua vontade divina e incontestável tal qual o homem branco aos negros e
índios que escravizava. Seu discurso na mídia, seu poder econômico e político
que a colocou acima das normas constitucionais e a declarou “Poder Moderador”,
mantém dois milhões de escravos que não tem como pagar os financiamentos
estudantis, não tem como prover sustento próprio e para suas famílias com a
profissão para a qual estão qualificados, que são taxados de incompetentes por
suas famílias e amigos, que são marginalizados no mercado de trabalho jurídico
e na maioria das vezes expulsos para outras ocupações profissionais, que são
esmagados até ficarem deprimidos, se acharem verdadeiramente incompetentes e
incapazes, desistirem de prestar novos exames e finalmente, de advogar.
O Movimento Nacional de Bacharéis em
Direito – MNBD – vem repetir a História Romana com uma revolta de escravos,
repetir Zumbi do Quilombo dos Palmares, repetir a ação dos Aliados contra o 3º
Reich. Organizado nacionalmente e estruturando-se nas cidades de maior porte em
todo o Brasil, o MNBD vem agindo juridicamente com ações junto ao Ministério
Público e o Judiciário, buscando apoio nos Parlamentares municipais, estaduais
e principalmente nos federais, tanto no Senado Federal como na Câmara dos
Deputados, agindo socialmente para demonstrar que o exame é inconstitucional e
imoral e que os bacharéis não são incapazes e sim vítimas de uma OAB criminosa,
que destrata seus inscritos e impede a entrada de novos advogados, exaurindo-os
com um exame feito para reprovar e que não afere conhecimento teórico e
acadêmico, mas obrigando-os a pagarem taxas astronômicas e absurdas para fazer
tal exame 3 vezes por ano, com o que ganha mais poder econômico e ainda
alimenta a existência de incontáveis cursinhos que sugam mais dinheiro dos
bacharéis e criam mais vagas de trabalho para seus inscritos.
Assim como o senhor de Engenho, a atividade
criminosa rende milhões e milhões de reais aos líderes da OAB e seus cúmplices,
através da exploração dos dois milhões de escravos disponíveis no mercado e que
a cada semestre são abastecidos com novas vítimas em potencial.
O MNBD vem unir estes escravos brasileiros,
dar-lhes voz, defesa e assessoria gratuitas, pois ao contrário da OAB não
cobramos por nada e nossa meta é ter os bacharéis unidos contra estes líderes
da OAB que nos escravizam, nosso trabalho é buscar apoio dos parlamentares como
do Senador Gilvam Borges, autor do Projeto de Lei 186/06 e dos Deputados
Federais Max Rosenmann (PL 5.801/05), José Divino (PL 7553/06), Edson Duarte
(PL 2195/07) e Jair Bolsonaro (PL 2.426/07) que estão conosco nesta revolta de
escravos, assim como incontáveis deputados estaduais e vereadores por todo o
Brasil.
A luta Jurídica na busca por alforria já
tem precedentes a serem colacionados, como a ação 2004.71.00.036913-3 da 3ª
Vara Civil da Justiça Federal de Porto Alegre, onde foi declarada a
inconstitucionalidade do exame e a sentença foi confirmada no TRF 4. Ações
O Movimento Nacional de Bacharéis em
Direito está escrevendo uma nova página na história brasileira contra a tirania
ainda existente e, assim como houveram importantes vozes anti escravagistas,
temos importantes vozes democráticas nos apoiando e outras se unirão a nós ao
tomarem conhecimento desta escravidão moderna e das mentiras do novo “Golbbels”
brasileiro.
O MNBD vai dar voz aos escravos brasileiros
na luta por seu Direito, provando que somos seres humanos e cidadãos com alma
divina, espírito indômito e nosso rumo é a meta de extinguir este exame
inconstitucional e imoral aplicado pela OAB.
Reynaldo Arantes é Presidente Estadual do
MNBD/ São Paulo e Bacharel em Direito pela Unoeste de Presidente Prudente/SP.
Email:
mnbd.sp@uol.com.br