EXAME DE ORDEM E A
MENTIRA DO SÉCULO XXI
REYNALDO ARANTES
30.07.2011
Bacharel em Direito pela UNOESTE de
Presidente Prudente/SP e presidente nacional do MNBD/OABB.
Email: mnbd.brasil@gmail.com
A história da humanidade foi
marcada desde o seu início por grandes mentiras apresentadas como verdades
absolutas pelos poderosos de plantão da vez. E o povo acreditava!!!
Assim, para os egípcios, o
Faraó era uma divindade... Que morria, mas era uma divindade...
Os césares diziam que
dominavam o mundo, mesmo perdendo legiões na Gália e o
povo acreditava...
Os gregos criaram a
democracia e o povo se achava democrata, mesmo que as
mulheres, os estrangeiros, os escravos e a grande maioria do povo não pudesse
opinar.
Recentemente, no século passado, pessoas davam
sua vida pela igualdade que o comunismo pregava, enquanto Lênin mandava quem pudesse
sucedê-lo para a Sibéria e criava uma casta dos mais iguais entre os iguais.
Quase ao mesmo tempo, Hitler
culpava os judeus pela miséria vivida após a 1ª grande guerra e até as bombas
arrasarem Berlim, o povo alemão acreditava nas vitórias heróicas de suas tropas
conquistando o mundo, claro que graças à contra informação plantada por Paul Joseph Goebbels.
No Brasil, mentiras elevadas
à condição de verdades absolutas pelos nossos governantes fizeram a rotina de
nossa história, desde os motivos para guerrearmos com o Paraguay (Solano Lopez
usar nossa bandeira como capacho...) na época do Império, até Lula apregoar
nossa auto-suficiência em petróleo...
Mas a OAB sobrepujou,
superou, está à frente de todos seus concorrentes com vários centímetros de
nariz de madeira de vantagem até sobre nossos governantes...
Publicada neste inicio de
julho a Nota Oficial da Entidade dos Advogados que relaciona 90 faculdades que
não aprovaram nenhum aluno no último exame de ordem. A OAB se mostra como
sempre, arrogante e acusadora social, apontando as Instituições de Ensino
Superior incapazes, incompetentes, bacharéis em Direito ignorantes e
despreparados e, como sempre faz, exigindo que o Ministério da Educação as
supervisionasse e se possível, as sancionasse com cancelamento de vagas ou até
com fechamento destes cursos de direito.
E a imprensa, até pela
tradição da OAB de séculos de bons serviços nacionais, que não é honrada por
seus líderes atuais, abre espaço para o discurso mentiroso da OAB. Foi o que se
viu com seu presidente no Jornal Nacional e em manchetes nos jornais de
circulação nacional.
Mentira. Deslavada mentira
maquiada de maneira tão superficial e grosseira, que fica fácil demonstrar.
Vamos retornar um pouco ao
tempo. Ainda em 2010, a Fundação Cespe UnB aplica a 2ª fase do exame e um
examinando de Osasco/SP tem uma “cola” com as perguntas e as respostas oficiais
do gabarito. A 2ª fase é cancelada e todos, 99% inocente e talvez 1% com culpa
são obrigados a fazer nova prova.
A OAB, então, cancela o
contrato com a Cespe UnB e firma convênio com a Fundação Getulio Vargas para
aplicar o exame a nível nacional. Aumentam a bagunça e o descalabro.
Em seu primeiro exame
aplicado, o 2010.2, ainda na primeira fase, examinandos recebem justificativas
pelos seus recursos demonstrando que se o examinando diz que a resposta “A”
está certa, a banca diz que a certa é a “B”. Se o examinando recorre dizendo
que a “B” está certa, a banca diz que a “A” está certa. Ou seja, cristalina
manipulação para reprovar examinandos e manter os históricos percentuais de
reprovação na 1ª fase, sempre acima de 70%. Temos a prova desta manipulação que
está sendo levada a Juízo em Brasília/DF. Uma vergonha...
Vem a 2ª fase e os espelhos
dos gabaritos estão totalmente em desconformidade com o edital da Prova,
algumas matérias a nota máxima é 6 na soma dos
espelhos, outras chegam a 11... Instado a se manifestar por comissão de
examinandos liderados pelo acadêmico Noelton Toledo, o Presidente Ophir declara
que a FGV iria corrigir imediatamente o erro. Nada foi feito e a reprovação
seguiu em sua média histórica entre 85% e 90% dos inscritos.
Chega o exame 2010.3 –
curiosamente aplicado em 2011 – e novamente, na primeira fase não há questões
de Direitos Humanos na prova, mesmo o Edital determinando esta matéria como
obrigatória por força de Provimento da OAB, que determinava ao menos 5 questões de Direitos Humanos. A ironia é que a OAB foi
condecorada pelo Governo por incluir questões de Direitos Humanos em sua
prova...
A
descalabro é tão grande, que o Ministério Público Federal – inerte
quanto à questão da inconstitucionalidade do exame – resolve intervir.
Requisita que a OAB conceda 5 pontos a todos os
examinandos. A OAB refuga. O MPF do Ceará, Santa Catarina, São Paulo, Distrito
Federal e outros estados entram com ações civis públicas contra a OAB para que
todos os examinandos tenham os 5 pontos por ter a FGV
descumprido o Edital e o Provimento da própria OAB. É tão cristalino o direito,
que a maioria absoluta dos magistrados concedeu liminares nas ações coletivas,
nas ações individuais, em ações por todo o Brasil.
Tais pontos concedidos,
elevariam em 2 ou 3 vezes o número de examinandos
aptos a fazerem a 2ª fase. A OAB, porém, na ante-véspera
da 2ª fase obtém uma decisão do Presidente do TRF 1, suspendendo os efeitos de
algumas liminares – sem analisar o mérito, ou seja, se há ou não o Direito dos
examinandos – com base no Princípio da Contra Cautela e a OAB matreiramente usa
a decisão para não cumprir nenhuma liminar concedida.
Assim, com um número reduzido
de candidatos, a OAB aplicou a 2ª fase. Uma prova para barrar, para fazer o
bacharel se sentir incompetente, tão absurdamente técnica e detalhista, que um
dos maiores juristas brasileiros em Direito do Trabalho, o Dr. Renato Saraiva
veio a púbico afirmar que ELE NÃO passaria no exame de ordem...
Mais, sua numerosa equipe
especializada em Direito do Trabalho demorou 07 (sete) horas para resolver a
prova, vejam bem: a Equipe demorou 7 horas !!! Os
bacharéis tiveram só 5 horas para fazer a prova...
Como disse na ocasião o Dr.
Renato Saraiva, faltava o Dr. Ophir dizer que ele, Renato Saraiva, não está
preparado para advogar...
Não falta mais, pois com a
tentativa de empurrar sua culpa para as faculdades e bacharéis não aprovados, o
que o Dr. Ophir está dizendo diretamente é que um dos maiores juristas
brasileiros é incompetente e que sua faculdade foi irresponsável ao dar-lhe
graduação em Direito.
Aliás, neste ponto, não
precisamos ir muito longe. O próprio presidente da OAB SP Flavio D’Urso já
reconheceu que ele não passaria no exame de ordem... Falta a
imprensa perguntar se o Presidente Ophir se submeteria a um exame de ordem aleatório
para comprovar que ele está apto a advogar...
Assim como Goebbels fazia com o povo alemão, divulgando vitórias onde
havia derrotas, a OAB está jogando a culpa da Fundação Getúlio Vargas e a
própria, em cima das faculdades e dos bacharéis. É a contra informação, é a
mentira elevada à categoria de verdade absoluta... E não havendo contestação, a
mentira, reiteradamente repetida, se torna verdade.
Mas a
Organização dos Acadêmicos e Bacharéis do Brasil (OABB), que coordena o
Movimento Nacional dos Bacharéis em Direito (MNBD) contesta. Afirmamos com
todas as letras. A OAB mente. E completamos, mente porque tem interesse em
manter o exame para fazer reserva de mercado e para lucrar uma mega sena a cada
exame sem fiscalização de ninguém...
Vamos
analisar de maneira mais detalhista a “lista das faculdades” divulgada pela
OAB. 15 faculdades tiveram apenas um aluno matriculado no exame. 36 faculdades
tiveram até 9 inscritos na 1ª fase do exame. Com uma
reprovação de 75%, milagre foi uma faculdade colocar estes alunos na 2ª fase.
Pura matemática...
Na 2ª
fase, 58 faculdades – ou um terço das 90 indicadas - tiveram um ou nenhum aluno
na 2ª fase, aprovar este único aluno é quase milagre em uma prova em que
Jurista como o Dr. Renato Saraiva não passaria...
Assim, uma
faculdade que inscreveu 100 alunos, matematicamente teria 25 aprovados para
fazer a 2ª fase e 9 alunos aprovados no final. Não há
na lista nenhuma faculdade com 100 ou mais alunos inscritos...
A
faculdade com mais alunos inscritos – 73 – aprovou 10 alunos para a 2ª fase. A
2ª faculdade com mais alunos inscritos teve 52 alunos, 4
aprovados para fazer a 2ª fase. As faculdades indicadas na famosa “lista da
OAB” não tiveram foi quantidade de inscritos para chegarem a obter aprovados no
final...
Um ponto
que é desconhecido da sociedade por falta de espaço na mídia tradicional para
se debater e contrapor as mentiras da OAB, é que atualmente, até por causa da
necessidade de passar no exame para simplesmente poder se exercer a profissão
privada e autônoma de advogar, aliado com a inscrição on line via net que o
examinando faz, sem precisar apresentar documentos ou o diploma para se
inscrever, muitos dos examinandos estão simplesmente “treinando” para fazerem o
exame. São alunos do 4º ou 5º ano, ainda não graduados, que vão aprimorando
suas técnicas para passar no exame quando se formarem.
Apenas nós
do Movimento Nacional dos Bacharéis em Direito nos contrapomos de maneira
técnica e fundamentada aos argumentos falaciosos da OAB. Nós mostramos as
mentiras e as documentamos.
Com todos
os erros da OAB e da FGV na primeira e segunda fases do exame, que levaram
Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União a entrarem com ações
coletivas na Justiça – e obterem as liminares com os Juízes Federais – para
corrigir estes erros, após uma prova de 2ª fase em que juristas famosos e
consagrados não passariam, a OAB apresentar uma lista com faculdades que
inscreveram 1 único aluno e acusar esta faculdade e
este aluno (formado ou ainda em formação) de incompetentes e exigir
fiscalização do MEC sobre estas faculdades, extrapola os limites da mentira,
deixa de ser piada simplesmente e caracteriza o que nós, operadores do direito
chamamos de litigância de má fé...
Em linguagem
popular, o que a OAB faz é estelionato, é vigarice, é crime...
Isto para
ficarmos apenas na análise da prova aplicada e nos atos ímprobos da OAB. Pois
se formos relembrar, este exame está com seus dias contados. Juízes Federais do
Rio Grande do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Mato Grosso já sentenciaram que o
exame é inconstitucional. O Desembargador Federal Vladimir Souza Carvalho do
TRF 5 já sentenciou que o exame é inconstitucional das
mais variadas formas, material e formalmente. A questão está no Supremo
Tribunal Federal em duas ações, uma nas mãos do Presidente, Ministro Cezar
Peluso (Ação de suspensão de segurança 4.321/2011) e outra
nas mãos do Ministro Marco Aurélio (Recurso Extraordinário 603.583 RS). Uma
decisão é esperada ansiosamente não só pelos bacharéis, como pelos democratas
que exigem respeito à Constituição...
Outro
ponto fundamental é a movimentação no Congresso Nacional, onde temos 1 projeto de lei (Sen. Gilvam Borges PMDB/AP) e uma Proposta
de Emenda Constitucional (Sen. Giovani Borges PMDB/AP) no Senado, assim como 4
(quatro) projetos de lei na Câmara (Deputados Max Rosenmann (PMDB/PR), José
Divino (PMDB/RJ), Edson Duarte (PV/BA) e Jair Bolsonaro (PP/RJ), todos para
acabar com o exame por causa de sua inconstitucionalidade.
A se
destacar ainda, o Projeto de Lei 1.284/2011, do Deputado Jorge Pinheiro
(PRB/GO) que determina que, enquanto se discute a inconstitucionalidade do
exame, que o mesmo seja aplicado pela OAB em conjunto com Ministério Público
Federal, Defensoria Pública da União e tendo um observador da OABB/MNBD
acompanhando a produção, aplicação e correção da prova. O objetivo é acabar com
estes erros na aplicação da prova e torná-la ao menos, uma prova para aferir
conhecimento acadêmico sem manipulação...
Importante
destacar que, além da clara reserva de mercado, a OAB e seus líderes tem enorme
interesse em aplicar o exame de ordem por causa dos recursos arrecadados e cuja
aplicação ninguém conhece ou fiscaliza.
Analise
que o examinando paga uma taxa de R$ 200,00 a cada exame. São cerca de 125 mil inscritos a cada exame. Uma receita de 23
milhões de reais a cada aplicação, uma mega sena gorda por assim dizer de
recursos sem fiscalização sobre sua aplicação...
A título
de comparação, um concurso para Juiz Federal, Promotor de Justiça, Procurador
da República, Auditor Fiscal Federal ou delegado da Policia Federal cobra cerca
de R$ 100,00 a R$ 120,00 de inscrição, são várias fases trabalhadas – escrita,
física, psicotécnica, médica, entrevista, investigação social – e salários
finais de cerca de 20 mil reais mês.
Os
bacharéis pagam R$ 200,00, fazem duas fases escritas e, se aprovados, ainda
gastam mais dinheiro com inscrição na Ordem e obtenção da carteira (que demora
meses...) para só então entrar no mercado e... procurar
trabalho...
A OAB
cobra taxa de R$ 200,00 a cada exame, o aprovado em 1ª fase que não passar na
2ª é obrigado a fazer a 1ª novamente e, claro, a pagar nova taxa, a OAB
contrata um terceiro para aplicar a prova, se este terceiro erra – e como a FGV
erra... – a OAB não exige correção, o percentual de reprovação se mantém desde
o inicio em históricos 85% a 90% de reprovação (já chegou a 97% de reprovação
em prova da OAB SP), obrigando o bacharel a fazer
vários exames (até passar ou desistir da profissão) e claro, a pagar taxas e
mais taxas, comprar novos livros, fazer cursinhos e pagar por eles e enquanto
isto, o bacharel não pode trabalhar, a grande maioria ainda tem de pagar o
financiamento estudantil e todos os operadores do direito sabem que o exame é
inconstitucional...
Como
declarou o Deputado Federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT/SP)
recentemente, se Rui Barbosa fizesse o exame de ordem hoje, ele seria
reprovado...
Visando
reserva de mercado e lucros milionários, os líderes atuais da OAB envergonham
os juristas que fizeram história neste país defendendo a população de déspotas
e ditadores, usam a tradição e honradez adquirida pela gloriosa classe dos
advogados para fins escusos, transformam uma Entidade que já foi referência de democracia
e respeito às leis em um clube com lideranças hereditárias que se perpetuam
ignorando a Constituição e agindo como ditadores que usam seu poder para usar
as leis apenas a seu favor, agindo como ensinou Maquiavel ao pequeno
príncipe...
Após
todo o explanado, a OAB ainda vir a público dizer que a culpa é das faculdades
e dos bacharéis, é o cúmulo da desfaçatez... A OAB merece com todos os méritos
o troféu “Pinóquio de Diamante do Século XXI” a ser entregue a suas lideranças
atuais. Pelo menos neste aspecto deplorável, para seus membros probos e
honrados que são a esmagadora maioria e em contraposição à sua gloriosa
história e tradição, as lideranças da OAB atual estão se mostrando imbatíveis
na mentira e na desfaçatez...