Dois terços dos bacharéis em Direito desistem da carreira porque não passam no Exame de Ordem

08.10.2007

http://www.espacovital.com.br/noticia_ler.php?idnoticia=9143

 

Bacharel em Direito desde o fim de 2002, quando se formou na faculdade, Karina Storti, de 27 anos, tentou uma, duas... cinco vezes passar no Exame de Ordem, em São Paulo. Não conseguiu e, sem a credencial para atuar como advogada, partiu para outra. Ela faz pós-graduação em marketing, área em que trabalha atualmente. Das provas da OAB, lembranças amargas e uma certeza: o diploma de Direito que conquistou depois de cinco anos de estudo pouco vale.

- Eu era estagiária de um bom escritório de Advocacia. Eles me deixaram um mês estudando só para o exame. Foi uma frustração não passar. Fiquei mal. Chorei muito - conta Karina.

A matéria foi publicada pelo jornal Diário de S. Paulo, em texto do jornalista Fábio Mazzitelli. Ele revela que a jovem cursou Direito na Unip, uma das universidades pressionadas pelo Ministério da Educação a melhorar a qualidade do ensino, sob pena de sanções administrativas. No mês passado, o MEC divulgou uma lista de 89 instituições de ensino superior com avaliação ruim: 37 tiveram conceito inferior a três, em escala de 0 a 5, e índice de aprovação inferior a 10% no exame da OAB.

- Da minha turma, éramos em seis. Eu e cinco amigas. Nenhuma conseguiu. Elas estão desempregadas. Uma foi para o interior - lembra Karina, que aceitou até ser receppcionista para recomeçar em outra área.

Das cerca de 40 mil pessoas que concluem anualmente um curso de Direito no Estado de São Paulo, só um terço dos bacharéis vira "doutor", segundo dados da comissão do exame da OAB-SP, que regulamenta a profissão. Às vezes, nem isso. O índice de aprovados de 30,43% do Exame nº 132, realizado em julho, foi o maior das últimas 17 provas.

- A mercantilização agressiva do ensino jurídico leva à necessidade de manter o Exame de  Ordem. Os dados são cruéis: dois terços não vão chegar à profissão - diz Braz Martins Neto, presidente da comissão de exame da OAB-SP.

Criado no início dos anos 70, o Exame de Ordem é o único meio de conseguir a solução legal e necessária para iniciar a carreira. Sem ela, o bacharel em Direito não assina nem petição. Hoje, são realizados três exames da OAB por ano. As datas são unificadas; o conteúdo, não. Até o início dos anos 90, havia limite de participações. Atualmente, o bacharel pode tentar quantas vezes quiser. A inscrição custa R$ 120,00. O próximo Exame de Ordem no RS será em ainda não tem previsão.

O recordista nacional de tentativas já passou mais tempo em cursinhos preparatórios para o exame do que na faculdade.

- O recorde é de um candidato que fez 17 exames de ordem e nunca passou. Ele ainda tenta - conta Braz Martins.