Disputa política
OAB-SP protesta contra ADI sobre
convênio com Defensoria
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O presidente da seccional paulista da OAB, Luiz Flávio
Borges D´Urso, protestou
contra a ação proposta pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando
Souza, no Supremo Tribunal Federal, contra o convênio de assistência judiciária
firmado entre a OAB-SP e a Defensoria Pública. O PGR afirma que esta obrigação
é inconstitucional. D’Urso diz que a Ação Direta de Inconstitucionalidade está
totalmente equivocada.
“A ação constrói uma premissa equivocada de que a Defensoria
não se expande por conta do dinheiro aplicado no convênio. Desconhece que os
recursos que sustentam o convênio de assistência judiciária em São Paulo vêm
das custas extrajudiciais, portanto, é dinheiro do Judiciário, e não do
Executivo”, diz D´Urso.
Para o presidente da OAB-SP, o procurador-geral recebeu
informações erradas. Os argumentos da ação mostram que desconhece a realidade e
que se baseiam em premissas falsas, “já empregadas pela Defensoria Pública em
outras oportunidades”.
“Onde o governo do estado conseguirá recursos para contratar
1,6 mil defensores, com salário entre R$ 7 mil e R$ 13 mil e criar infra-estrutura
para que eles possam trabalhar imediatamente?”, pergunta. Segundo D’Urso, a
greve da Defensoria, que terminou na sexta-feira (17/10), só não teve impacto porque os 47 mil advogados do convênio continuaram a
prestar atendimento à população carente.
Ele ressalta que a tabela de honorários do convênio está defesada. De acordo com os seus cálculos, ao final de um
processo, que leva em média cinco anos, o advogado recebe R$ 500. Além do que,
afirma, arcam com todas as demais despesas decorrentes da ação, como condução
para ir ao fórum, papel e tinta da impressora para a petição, telefone para o
cliente. “Os advogados praticamente pagam para trabalhar. Por isso, pleiteamos
um reajuste da tabela de honorários.”
Revista Consultor
Jurídico, 22 de outubro de 2008