Dirigentes da OAB-DF são suspeitos
de fraudar exames da entidade
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Thomaz Pires
Do
CorreioWeb
Atualizada às 20h06
05/09/2007
16h40-O
Ministério Público Federal (MPF) acredita que dirigentes, funcionários e
membros do Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também
estejam envolvidos no esquema que fraudava exames da entidade. Eles são
apontados como suspeitos de formação de quadrilha, falsidade ideológica e
estelionato. Essa foi a justificativa apresentada pela procuradora da
República, Ana Carolina Maia, para pedir mandado de busca e apreensão de
documentos no edifício-sede da OAB-DF. O objetivo – alcançado somente na tarde desta quarta-feira - foi
recolher provas de candidatos supostamente envolvidos, além de outros documentos
relativos a novos indícios de ilegalidades. Como o processo corre em segredo de
justiça, a procuradora não revelou o nome de nenhum suspeito.
Justiça
determina devolução de material recolhido da OAB-DF
F
Os indícios sobre o maior número de envolvidos vieram à tona após os
depoimentos da professora da banca examinadora Priscilla de Almeida Antunes.
Acusada de preencher questões em branco das provas de Direito Penal, a advogada
confirmou a fraude e revelou que os candidatos chegaram a pagar até R$ 30 mil.
Para fazer novas revelações, ela aguarda conquistar o direito de delação
premiada. Até agora, Priscilla é a única, entre os dez suspeitos, a ter a carteira
suspensa pela Ordem.
A presidente da OAB/DF, Estefânia Viveiros, refutou as declarações
de Priscilla. Para a ela, o teor de seu depoimento não possui credibilidade e,
por isso, não incrimina qualquer funcionário, membro ou dirigente da entidade.
“Essas afirmações são irresponsáveis e absurdas, uma vez que foram feitas por
uma pessoa que reconhece ter cometido um ato fraudulento”, rebateu Estefânia.
As apurações realizadas pela OAB também foram questionadas pelo MPF. Um dos
pontos diz respeito aos laudos grafotécnicos, que analisaram as letras dos
candidatos. Segundo a procuradora, a análise não foi feita por peritos e,
portanto, não teria qualquer valor investigativo.
Procurada pela reportagem, a procuradora Ana Carolina Maia se
recusou a comentar o assunto, já que as investigações correm em segredo de
justiça. Por meio de sua assessoria, disse apenas que havia a necessidade em
solicitar novos elementos para as investigações. Na justificativa para o
mandado de busca e apreensão – formalizadas em um documento com mais de 200
páginas –, ela reforça que as conclusões da comissão interna da OAB/DF –
formada para investigar as denúncias - estão longe de serem suficientes para
sanar todos os indícios de fraudes nos exames realizados entre 2004 e 2006.
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