Demissões continuam
Amazônia Jornal,
17.11.2007
Nem a decisão da desembargadora Luiza Nádia e nem o
projeto de Lei aprovado na Assembléia Legislativa do Estado (AL) vão frear o
processo de demissão dos temporários lotados na administração direta do governo
estadual. De acordo com o secretário de Governo, Cláudio Puty,
o calendário que vai distratar os 20 mil temporários
lotados nas administrações direta e indireta vai ser
efetivado sem interrupções, conforme determina o acordo firmado com o
Ministério Público do Trabalho.
Sendo assim, mais demissões já estão
engatilhadas para este mês, sem comprometimento, no entanto, do funcionamento
da máquina administrativa. É o que garantiu o representante do governo na
coletiva concedida ontem à tarde sobre a questão.
Cláudio Puty
revelou que o governo do Estado, na quarta-feira (14), enviou ao Ministério
Público do Trabalho o pedido de prorrogação, até fevereiro de 2009, do prazo
para o cumprimento da decisão do acordo que o obriga a romper o contrato de
trabalho de servidores temporários.
O pedido de adiamento foi entregue ao
procurador regional do Trabalho, José Cláudio Monteiro de Brito Filho,
acompanhado de um diagnóstico completo sobre as ações que o governo de Ana
Júlia Carepa efetivou nesses 11 meses como parte que
lhe cabe no acordo com a Justiça do Trabalho. O prazo expira no dia 31 de
dezembro deste ano.
Compromisso
é de manter acordo com MP
O secretário de Governo, Cláudio Puty, fez questão de enfatizar que o pedido de adiamento
não significa renovação do contrato dos temporários. 'Não queremos criar
ilusões. Fique claro que não estamos pedindo a prorrogação dos contratos dos
temporários. Estamos, sim, pedindo a prorrogação do prazo que nós temos para
cumprir o nosso planejamento de distrato',
esclareceu, acrescentando que 'os distratos ocorrem
todos os dias e vão continuar ocorrendo porque o nosso compromisso é de manter
o acordo com o Ministério Público do Trabalho'. Em 11 meses, o atual governo já
distratou 1,7 temporários. Para compensar a perda,
diz já ter admitido 3.831 concursados que estavam na
fila de espera.
Cláudio Puty
justificou o pedido enviado ao procurador José Cláudio dizendo que o
diagnóstico produzido mostra a inviabilidade de distratar
os 20 mil temporários até dezembro deste ano sem que a máquina administrativa
sofra graves conseqüências nos serviços prestados ao público. No documento
consta, entre outras informações, a ampliação do número de vagas recentemente
aprovadas pela Assembléia Legislativa para as secretarias de Educação e Saúde.
As vagas aprovadas vão ser preenchidas
nos 12 concursos que devem admitir, até abril de 2008, pelo menos 22 mil novos
funcionários públicos. Seis concursos já foram editados. Outros seis devem ser
anunciados até o final deste mês. Todos devem ser realizados até fevereiro de
2008. O problema é que entre a ação de promover o concurso e lotar o concursado na função há exigência de tempo que supera o
prazo estabelecido no acordo.
Secretário:
possibilidade de prorrogação
Para o secretário de Governo, Cláudio Puty, a resposta do Ministério Público do Trabalho ao
pedido de adiamento do prazo deve ser conhecida em até três semanas, mas
adiantou que já houve sinalização positiva nesse sentido. 'Sentimos que existe um real possibilidade de prorrogação de, pelo menos, até
metade do ano que vem', revelou.
Indagado sobre a sanção da governadora
Ana Júlia ao projeto recém-aprovado na Assembléia Legislativa, Cláudio Puty se limitou a dizer que o documento ainda não chegou no Palácio dos Despachos e que, quando isso acontecer, será
submetido à apreciação da Procuradoria Geral do Estado.
Presente na coletiva Ibraim Rocha, procurador geral, adiantou que acredita na
inconstitucionalidade do projeto. A liminar da desembargadora
Luiza Nádia também ainda não chegou ao seu destino.
O Estado precisa distratar
cerca de 20 mil servidores, dos quais 14 mil são da chamada administração
direta, ou seja, trabalham nas secretarias de governo. Os outros seis mil
temporários são da administração indireta, que compreende as fundações, as autarquias
e as empresas públicas.
O acordo foca apenas os temporários da administração direta.
O coordenador da Câmara de Gestão do governo, Ângelo Carrascosa,
esclareceu que no caso da administração indireta há casos em que a
terceirização do serviço resolve, dando como exemplo o setor de serviços
gerais, com ênfase na limpeza e conservação.