Degola prossegue no Estado
Amazônia Jornal, 08.11.2007
Na mesma
edição de ontem do Diário Oficial em que o governo do Estado voltou atrás e revogou a portaria que encerrou os contratos de trabalho
de 997 servidores temporários da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), uma nova lista mandou para a degola 47 temporários
da Secretaria do Trabalho, Emprego e Renda (Seter).
Representantes dos trabalhadores estiveram ontem à tarde na Casa Civil na
expectativa de um novo posicionamento, mas saíram de lá sem resposta positiva,
depois de serem recebidos por um assessor. Por meio da assessoria de imprensa,
o chefe da Casa Civil, Charles Alcântara, que estava reunido com todos os
secretários no Centro Integrado de Governo (CIG), declarou que o governo do
Estado manterá o encerramento dos contratos temporários e que o caso da Sespa é uma exceção.
Segundo o presidente do Sindicato das Fundações e Entidades
Assistenciais do Pará (Sindfepa), Paulo Roberto
Silva, a maior parte dos demitidos da Seter atua no
cadastro de pescadores artesanais para recebimento do seguro-desemprego durante
o período do defeso. 'Eles cancelaram os contratos, quebrando o acordo feito
com o sindicato e com a comissão dos temporários, e em pleno período do defeso,
o que pode prejudicar a cerca de 70.000 pescadores.
Mas a grande surpresa foi que eles substituíram esses
trabalhadores por serviços terceirizados, enquanto que ainda há cerca de 180
aprovados no concurso público de 2005, feito quando (a secretaria) ainda era Seteps, que não foram chamados', argumenta.
De acordo com a assessoria de imprensa da Casa Civil, as demissões
de temporários continuarão sendo realizadas, cumprindo a decisão judicial que
determinou que isso fosse feito até 31 de dezembro. Concomitantemente, o
governo deve continuar tentando uma ampliação desse prazo junto ao Ministério
Público do Trabalho e deve anunciar a realização de concursos públicos.
Aprovados em concursos anteriores que compõem os cadastros de
reserva dos órgãos do Estado também devem ser chamados.
Carlos Bordalo,
líder do PT, diz que Ana Júlia age sem critério
A crise desencadeada pelos distratos dos
temporários vem causando estragos também no PT, partido da governadora Ana
Júlia Carepa. Ontem, o líder da legenda na Assembléia
Legislativa, o deputado Carlos Bordalo, disse que a
governadora não tem tido critérios na hora de promover as demissões. Ele
chegou, inclusive, a pedir ao presidente do poder, Domingos Juvenil, para que
seja enviado ao Executivo um pedido oficial da AL para que sejam suspensas as
demissões pelo menos até a próxima semana, quando deve ser votada a PEC 54, que
está tramitando no Congresso.
'Uma hora o governo faz o distrato de
mais de 1.000 servidores, no dia seguinte volta atrás e suspende as demissões,
depois faz o contrário e planeja mais uma lista. Tem alguma coisa errada.
Alguém está assessorando mal a governadora ou o que ela fala são meias
verdades. A PEC já está na pauta de votação. Seria de bom alvitre suspender
toda e qualquer demissão', disparou da tribuna, visivelmente enfurecido.
'Alguém tem que fazer alguma coisa, é uma desorganização. Está tudo sendo feito
sem critério'.
O deputado disse estar decepcionado porque, segundo ele, em
conversa com os parlamentares, a governadora havia garantido a suspensão. Bordalo afirmou que entre os demitidos estariam
trabalhadores estáveis, como um servidor de mais de 20 anos da Prodepa.
Oposição - Após
manifestações de deputados da oposição, ao final da sessão o presidente
Domingos Juvenil anunciou que hoje, após a sessão ordinária, o Colegiado de
Líderes vai se reunir para debater alternativas a serem oferecidas à
governadora para a questão seja resolvida. Ele disse
que já convidou o Ministério Público do Trabalho, para que se chegue a um
consenso.
Ministério Público pede que prefeito
demita contratados em 1 mês
O Ministério Público ajuizou ação civil pública contra o prefeito
de Conceição do Araguaia, Álvaro Brito Xavier, por
prática de crime de improbidade administrativa e também a secretária de
Educação, Cléia Maria de Oliveira da Silva. Eles são
acusados de contratar e nomear irregularmente temporários.
As promotoras Jane Cleide e Silva Souza e Lílian Freire
solicitaram medida liminar rescindindo todos os contratos temporários dos
cargos de professor de nível médio e superior, além de agente de serviços
gerais, vigilância e motorista, nomeados este ano. Elas solicitaram um mês para
as demissões e a multa de R$ 3 mil em caso de desobediência por contrato.
A ação prevê a chamada dos candidatos aprovados no concurso
público de 2005 e novo concurso. E que sejam imediatamente exonerados Elizângela Cruvira de Abreu e
Ezequiel da Silva Vieira, por ocuparem cargo comissionado do magistério sem
serem efetivos da área. Elas ainda pedem a realização de eleições diretas para
as funções de diretores em três escolas.
O MP requer, ainda, suspender as remoções sem critérios legais e
também os descontos nos pagamentos de educadores que deixarem de dar aulas aos
sábados, por serem adventistas, e daqueles que freqüentarem cursos de
aperfeiçoamento ou especialização.
Ex-servidores querem pescadores no
protesto
São justamente os pescadores artesanais, prejudicados com as
demissões de servidores da Seter, que os temporários
esperam ter como aliados na manhã de hoje para uma manifestação pública de
protesto contra a deloga promovida pelo governo em
frente à Assembléia Legislativa do Estado.
'Vamos fazer um ato público com a participação de 15 presidentes
de colônias de pescadores que também estão preocupados com a situação.
Esperamos puxar o apoio dos parlamentares, já que existe uma comissão lá
tratando disso e que também está sendo enganada pelo governo', diz Paulo
Roberto.
Para uma das representantes da comissão dos temporários, Suzete Cardoso, o distrato dos
temporários vai além do problema do desemprego e terá reflexos nos serviços do
Estado.
'Diante do caos que tivemos na saúde deu para a população perceber
a desorganização e o descontrole do governo. Foram dois dias de serviços
paralisados. Queremos mostrar que não são só os
trabalhadores que perdem', avisou Suzete.
Aécio Neves
efetiva 98 mil irregulares em MG
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), sancionou a lei
complementar que efetiva 98 mil servidores não concursados, que passam a ter os mesmos direitos que os
funcionários concursados. A lei sancionada foi
publicada na edição de ontem do 'Diário Oficial' do Estado. Esses servidores
foram contratados pelo Estado entre 1990 e 2006. São quase todos da área da
educação, sendo que cerca de 25% já estão em condições
de se aposentar, mas não podem porque não sabem se pertencem ao Ipsemg (a previdência do Estado mineiro) ou ao INSS.
Minas, e outros Estados, mantiveram os servidores sob a
previdência estadual ao longo dos últimos anos e, então, passaram a ser
cobrados pelo INSS para cumprir o dispositivo da reforma. Só que não bastava
mudar de regime. O INSS cobrou também os valores pelo tempo que esses
servidores estiveram vinculados à previdência estadual.