D Urso: não recuaremos
"São
Paulo, 25 de julho de 2.008.
Prezado
Colega.
Desde o
dia 13 de julho do corrente, quando expirou o prazo de nosso Convênio de
Assistência Judiciária, a OAB-SP tenta negociar com a Defensoria Pública sobre
sua prorrogação.
Vários
interlocutores de peso também estão neste esforço para ver
renovado nosso Convênio, com aumento real da Tabela de Honorários, em
que pese a falta de diálogo por parte da Defensoria.
O
Edital publicado pela Defensoria é totalmente ilegal, basta examinar o Art. 109 da Constituição do
Estado de São Paulo e também o Art. 234 da Lei Complementar 988/06.
A
OAB-SP está adotando medidas judiciais e administrativas contra esse Edital,
que além de ilegal é contrário aos interesses do colega (vide as obrigações e
deveres do Advogado, a falta da Comissão Paritária e
a ausência do prazo de renovação com reposição inflacionária). Trata-se de uma
relação que não se sustenta juridicamente.
O pior
é que não há previsão orçamentária para pagar os colegas que, iludidos,
se inscreverem nesse Edital.
Questões
éticas também estão sendo examinadas sobre essa adesão ao Edital.
E por
fim, fica a grande pergunta:
“Se a
Defensoria não quer dialogar com a OAB-SP, apesar de sua representatividade,
prestígio e peso político, o colega acredita que a Defensoria irá ouvi-lo ou
atendê-lo no futuro? Claro que não!”
É por
isso que a OAB-SP está empenhada desde o dia 13/07/08, em restabelecer o
diálogo para melhorar a tabela e ver renovado o convênio.
Há 22
anos a advocacia paulista unida atende a população carente e ao longo desse
tempo sua remuneração prevista na tabela, ficou defasada. Agora chegou o
momento de retomar a escalada de recuperação dos valores da tabela para
dignificar nossa classe.
Dessa
forma precisamos refletir como classe, a fim de que nossa união nos fortaleça e
nos conduza à vitória.
Caso
algum colega pense isoladamente, estará ao se inscrever nesse ilegal Edital,
optando pelo caminho da solidão, o que certamente irá nos enfraquecer e também
a ele próprio.
A
Defensoria está tentando, embora ilegalmente, retirar a OAB-SP dessa relação,
posto que a Ordem incomoda quando luta pelos direitos dos Advogados.
Sem a
OAB-SP o colega ficará desamparado, à mercê do que determinar a Defensoria,
como, quando e o que ela desejar e não terá ninguém a recorrer, inclusive caso
nada receba.
É
chegado o momento da decisão.
Quanto
a nós, não recuaremos, vamos continuar a lutar, pressionar, interagir, dialogar
na defesa dos interesses da classe e da população carente.
Não
podemos admitir o desprezo, a indiferença e a desqualificação do trabalho
competente realizado pelos 47 mil advogados do convênio, estes sim, que há anos
atendem a população carente do Estado.
Desqualificar
o trabalho desses Advogados não qualifica o trabalho dos defensores públicos paulistas.
Se
verdadeira a informação, passada pela Defensoria à imprensa, de que no último
ano os 400 defensores atenderam 850 mil pessoas, a um custo de R$ 75 milhões em
33 postos; é verdade inclusive que esses atendimentos são meramente
consultas; como é verdade também que os 47 mil colegas atenderam GRATUITAMENTE
muito mais do que isso no mesmo período, pois a tabela do convênio não remunera
consulta.
Portanto,
os R$ 272 milhões gastos no ano passado com o convênio, serviram para custear
aproximadamente um milhão de PROCESSOS. A consulta consome minutos, enquanto
que os processos anos de trabalho!
Finalizando,
mais uma vez viemos à presença do colega para prestar estes esclarecimentos,
convidá-los a entender todo o caso, assistindo nossa gravação que está no site:
www.oabsp.org.br e reiterar nosso
compromisso de que não seremos omissos e continuaremos a lutar e defender esta
paixão que é a ADVOCACIA!
Cordialmente
Luiz
Flávio Borges D´Urso
Presidente"