DISPUTA FOLCLÓRICA
Data de
Publicação: 19 de setembro de 2007
Tribuna do Nordeste, São Luís – MA, 18/10/2005
Tudo indica que
o presidente da OAB, Roberto Busato, e o da República, Lula da Silva, decidiram
disputar o troféu dos discursos politicamente incorretos, para não dar outro
título talvez mais adequado a esse embate folclórico.
Os absurdos dos
discursos do presidente Lula já ganharam notoriedade. Os do presidente Busato
estão começando a ganhar agora, especialmente pela verborragia demagógica com
que tem cobrado de autoridades públicas e até desportivas aquilo que acontece
na OAB impunemente.
Para quem
conhece a história da Ordem e tem conhecimento das ocorrências de seu processo
eleitoral, bem como da omissão e até da conivência de suas lideranças diante de
graves denúncias de corrupção e até de fraude dentro da própria Instituição, os
discursos do Presidente da OAB não devem inspirar qualquer credibilidade.
Por último, o
Presidente da Ordem, depois de expressar seu preconceito contra a estatura física
do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, a quem se
referiu apontando-o como “expressão física do mensalão”, merecendo justa
crítica de Mauro Santayana (jbonline.terra.com.br, 09/09/2005), verberou,
agora, no melhor estilo Torquemada, e sentenciou: José Dirceu tem de ser
cassado porque, “Segundo ele (Busato), Dirceu já foi ‘definitivamente condenado
pela opinião pública brasileira porque ele representou toda essa podridão, esse
porão, esse mar de lama que ocorreu no Poder Executivo’" (site da OAB).
Ora, a Ordem dos
Advogados do Brasil tem o dever de defender a Constituição Federal e o Estado
democrático de Direito. Em ambos os casos é elementar a prevalência do devido
processo legal, do contraditório e da ampla defesa, princípios que são
conhecidos popularmente e não poderiam jamais ser ignorados por um advogado,
com a agravante de ser o representante de todos os advogados do Brasil. Mau
representante, aliás, pois, recentemente, cometeu uma agressão gratuita
exatamente contra um advogado inocente, o que explica o fato de, com seu
julgamento precipitado de José Dirceu, violar, também, o princípio
constitucional da inocência.
Contrariamente a
esse posicionamento, o mesmo Presidente da Ordem atacou o Presidente do
Superior Tribunal de Justiça Desportiva, acusando-o de ser o responsável pelo
caos no futebol brasileiro, por ter anulado os jogos viciados pela fraude de
juízes de futebol.
Ou seja, no
primeiro caso, o Presidente da OAB quer Jose Dirceu cassado, sem direito às
garantias constitucionais, porque a população já o julgou e condenou. No
segundo caso, julgou e condenou o Presidente do STJD porque este tomou a
decisão de anular os jogos declaradamente fraudados.
Não surpreende
essa posição contraditória do Presidente Busato porque, já na Diretoria da OAB,
tomou conhecimento de denúncia que levamos ao Conselho Federal sobre esses
julgamentos de exceção e nada fez, como no caso em que o atual Presidente da
OAB-MA declarou o advogado e então Conselheiro Moreira Serra Júnior punido com advertência,
sem que o advogado tenha cometido qualquer falta, sem que tenha sido aberto
contra ele qualquer processo, sem que tenha tido a oportunidade de se defender.
O que a sociedade pode esperar de uma Instituição que está tomando esse rumo,
levada pelo desatino de seus dirigentes?