De forma crónica, discute-se em Portugal
corporativismos de classe, etc etc
etc.
Agora, com os professores.
Que são 70 mil sindicalizados [estilo praga] em 140 mil [estilo exército] e que
há mais de 11 sindicatos.
Lorenzetti
acha um piadão.
Até porque há grupos profissionais -- sobretudo onde há ordens - onde o
'sindicato' é um só.
No caso dos advogados, o caso é exemplar. Os pobres desgraçados têm uma ordem,
sem sindicatos [porque para todos os efeitos são trabalhadores independentes,
mesmo que estejam numa firma de 200, como já existe em Portugal -- ou 1000, no próximo caso espanhol -- com uma
cadeira de comando / hierárquica bem definida e oleada].
Ao mesmo tempo que age como sindicato, a ordem age como
regulador. E sem estar na ordem, não se pode ser advogado.
E mais: é a mesma ordem
que redige todas as regras de profissão. E as aplica, com recurso a sanções
e tribunal próprio.
Quem defende os advogados da sua própria ordem? Lorenzetti
não faz ideia. E depois há casos curiosos, mais
falados, como o de José Miguel Júdice, a quem foram
concedidos uns minutos para se defender [contra o tempo ilimitado da acusação]
e que foi deixado só na sala porque o conselho o deixou a falar sozinho, uma
vez que tinha 'ultrapassado o tempo permitido'.
Lorenzetti
tem alguns antepassados inquisidores 'bem alinhados' e provavelmente aos
métodos só se acrescentavam umas ferramentas, água e fogo. Mas enfim, só
passaram uns 300 anos. A lógica é que acaba por ser a mesma: eu mando, você sujeita-se. Porque eu sou a estrutura, você é um só.
Isto para dizer que uma ordem profissional não é necessariamente o 'máximo'
para quem dela faz parte. Até porque mais das vezes está lá obrigado. No caso
dos advogados, tenho uma amiga advogada, numa
das 'maiores sociedades' espanholas, mas a trabalhar cá em Portugal, que diz
algo curioso: 'por mim não havia Ordem. Aquilo é
uma empresa que nos explora. Devia existir autoregulação.
Se o mercado é livre, que o seja para todos'. Assim reza a opinião dela, que é
aliás uma profissional de excelência numa das áreas mais delicadas do direito.
Por último e voltando aos professores, vítimas da sociedade portuguesa [da qual
supostamente fazem parte], Lorenzetti não tem dúvidas que os sindicatos são
corporativos. Só fazem o seu papel. Para defender o Ministério, há o Governo, para defender os alunos há as
associações de estudantes, para defender os pais há as associações de pais.
E claro, para defender os médicos haverá a Ordem e o seu sindicato independente.Para os advogados, a
one and only Ordem. Para os
engenheiros a Ordem. Para quem
trabalha na aviação os sindicatos da aviação. E por aí em diante.
Se não fossem corporativos não serviam para nada. Ou alguém espera que os
sindicatos sirvam para apoiar o Governo
ou a cultura da batata doce nos Pirinéus?
O corporativismo e o lobbying , em si,
não são maus. São pluralistas e democráticos.
Já a corrupção é outra coisa.
E a incompetência, caros 'anónimos' do departamento
de exames do Ministério
da Educação, também. Mas não se preocupem, que não vos acontece nada.
Afinal, ninguém sabe quem vocês são.
E com a praia, os Portugueses esquecem. Em Setembro / Outubro cá estará tudo
com outro assunto qualquer.