Cezar Britto:
Exame de Ordem defende cidadania ao exigir competência
Do site do Conselho Federal
16/01/2008 -
O Exame de Ordem aplicado pela Ordem dos Advogados do Brasil para selecionar os
bacharéis em Direito aptos a exercerem a profissão de advogado, é instrumento
de defesa da cidadania brasileira, que precisa de advogados qualificados e
competentes para defendê-la, além de proteção da sociedade contra a crescente
mercantilização do ensino jurídico. As afirmações são do presidente nacional da
OAB, Cezar Britto, ao defender hoje (16) o Exame de Ordem como imprescindível
ao País e contestar a decisão liminar concedida pela juíza da 23ª Vara Federal
do Rio de Janeiro, que permitiu a inscrição na Seccional da OAB-RJ de seis
bacharéis de Direito que não passaram pelo Exame.
Britto
observou que o Exame de Ordem surgiu no mundo jurídico brasileiro, há 50 anos,
como instrumento da defesa da própria cidadania "numa profissão - como
definido pela própria Constituição de 1988 - que trata da liberdade, da defesa
do patrimônio das pessoas e da luta pelos direitos, que trata dos mais
preciosos bens fundamentais da sociedade e da humanidade. Surgiu, enfim, para
que a profissão de advogado não pudesse ser exercida por quem não competência
técnica, não tem qualificação". Destacando que o direito de defesa é
essencial no Estado democrático de Direito, ele afirmou que uma má defesa,
causada por um advogado mal preparado, pode gerar prejuízo irreparável para o
cidadão.
O
presidente nacional da OAB salientou que o Exame de Ordem é fundamental também
diante da proliferação desordenada de cursos jurídicos que oferecem ensino de
má qualidade e são os responsáveis pelos grandes índices de reprovação dos
bacharéis. Ele lembra que o Brasil conta hoje com cerca de 3,5 milhões de
estudantes de Direito nos diversos níveis do ensino jurídico, além de 600 mil
advogados inscritos no quadro da OAB. Os números do Brasil nessa área são
preocupantes, como destacou Britto. "Se não existir o Exame de Ordem, em
breve teremos mais de 4 milhões de advogados, ao passo que o mundo todo dispõe
hoje de 2,1 milhões de advogados, o que já demonstra algo errado no fato de um
só país ter mais advogados que o mundo inteiro", disse.
Cezar
Britto observou ainda que o Exame de Ordem como instrumento de habilitação de
profissionais qualificados e competentes não é exclusividade do Brasil,
existindo em várias partes do mundo. Em Portugal, por exemplo, a pessoa que
termina o bacharelado precisa depois fazer dois anos de estágio sob
fiscalização da Ordem dos Advogados local (OAP), além de se submeter ao final a
uma prova aplicada pela entidade. "E é o exame português é mais rigoroso
que o do nosso sistema", afirmou. Em outros países - salientou -, o
bacharel em Direito, para se tornar advogado, precisa até mesmo passar pela
aprovação de tribunais que testam a capacidade e os conhecimentos do candidato
ao exercício da advocacia.
O presidente nacional da OAB sustentou que movimentos de oposição ao Exame de Ordem não são novidades para a entidade e ocorrem ciclicamente no País. Do mesmo modo, o questionamento sobre a constitucionalidade ou não da aplicação do Exame, segundo ele, já passou algumas vezes pelo crivo do Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela sua legitimidade. "Além disso, não se está discutindo um direito novo, agora, mas um direito aplicado há cinco décadas e já consolidado no Brasil como um instrumento reconhecido pela sociedade, pelo mundo jurídico e político pela sua importância para se garantir a boa defesa do cidadão e a melhor qualificação dos cursos jurídicos", disse. "Tão consolidado que há projetos no Congresso Nacional para considerar que aquelas instituições que reprovam reiteradamente não possam mais continuar funcionando".