BACHARÉIS JOGADOS NO “LIMBO PROFISSIONAL

    J. R. Guedes de Oliveira

    Ensaísta, biógrafo e historiador - representante municipal do MNBD/OABB em Indaiatuba/SP

 

 

          Antes de mais nada, detenho-me no verbete “limbo”. O “Aurélião” é bem evidente ao responder o significado de limbo: lugar onde se deitam as coisas inúteis; olvido; estado de indefinição ou incerteza.

 

          Ao aglutinarmos a palavra “limbo” ao “profissional”,  teremos esclarecido que “limbo profissional” significa alguém jogado ao esquecimento, ao olvido, à indefinição do seu valor, à  incerteza de dias do amanhã. Portanto, em termos generalizados e populares, “um zero à esquerda”.

 

          É com este triste conceito que doutos juízes estão se manifestando contra a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, ao reprovar, por uma prova de algumas horas, o bacharel de Direito que, em 5 anos de estudos, logrou a certificação profissional, após sistemáticas avaliações: provas mensais ou bimensais, trabalhos dissertativos, relatórios de presenças em audiências, matérias eletivas e monografia de conclusão.

 

          Jogar alguém no limbo profissional e tolher-lhe os seus sentimentos, a sua vontade maior, o seu entusiasmo, a sua aptidão, o seu encorajamento para o aperfeiçoamento e aprendizado das lides judiciárias, a sua vergonha frente à sua família e a sociedade, o desespero de amargar um esquecimento e uma discriminação de tal tamanho. Isto tudo, sem contar investimentos, tempo, noites de envolvimento com o Direito, etc.

 

          Envergonha-me sobremaneira saber que a OAB tem, em seu quadro diretivo, uma porcentagem enorme de diretores, presidentes e outros de cargos que não passaram por teste algum e se eventualmente tivessem que passar, seriam reprovados na primeira fase.

 

          É triste e revoltante saber que estes bacharéis de Direito perambulam por aí, laborando às escondidas em escritórios de até renomados advogados, preparando iniciais, examinando processos e decidindo, buscando contribuir com o cliente. Mas este trabalho, fica só nisso, já que a assinatura e presença nas lides, é coisa de advogado credenciado por um exame inconstitucional.

 

          Vejo que o mundo de hoje já não suporta mais estes entraves. O exemplo disso tudo está no Oriente, onde o povo – este que também está no limbo – se enche de força e vontade e pede um basta.

 

           Contudo, entidades organizadas e decididas se manifestam de peito aberto e exigem mudanças. Estas mudanças ainda são pedidas ao crivo da ordem e do respeito. Imagino se a coisa desandar...

 

          Portanto, examinando com vagar e com justeza, posso dizer que as coisas vão mudar... e para melhor. Não é possível que tenhamos estes entraves que prejudicam a sociedade como um todo, já que se a massa trabalhadora está na sua produção profissional, fácil é supor que o país cresce, avança e perfila entre as mais nações ricas. Ao contrário disso tudo, a eclosão social se dá por meios agressivos e que a história registra, como hoje vemos e sentimos no Oriente.

 

          É tempo de pensar e modificar. Temo que essa leva de bacharéis de Direito, discriminados e tolhidos do seu direito ao trabalho, possa reivindicar os seus direitos constitucionais através da explosão... É tempo de meditar.

 

          Fecho, pois, com a mensagem de Engels: “O trabalho é a primeira condição básica para toda a existência humana, e isto numa tal extensão que, em determinado sentido, nós temos de dizer que o trabalho criou o próprio homem".