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Assembleia da República quer limitar exames de acesso às
Ordens |
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21.09.2007 http://www.canalup.tv/?menu=noticia&id_noticia=1177 Nova lei-quadro permite que o Governo interfira nos regulamentos das Ordens profissionais e acaba com os exames de acesso à profissão que sirvam para aferir conhecimentos académicos dos licenciados. |
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O fim dos exames de
acesso à profissão é a questão essencial introduzida pela nova lei-quadro
relativa às Ordens profissionais. Passam também a ser proibidos os limites de
entradas de licenciados no mercado de trabalho. O projecto é do PS, foi
aprovado no Parlamento e vai em breve ser discutido na Comissão Parlamentar
do Trabalho (a data está ainda por agendar). No blog Causa Nossa, o
constitucionalista Vital Moreira,
que participou na elaboração do documento, clarifica que as ordens continuam
a poder avaliar “a formação adicional específica eventualmente requerida para
o exercício da profissão; o que não podem é fazer exames à entrada na ordem
sobre os conhecimentos académicos dos candidatos, porque sobre isso elas já
estão certificados pelo diploma oficial que obtiveram nas universidades”. Ordens
reclamam independência do poder político As alterações
propostas têm gerado bastante controvérsia. O Conselho Nacional das Ordens
Profissionais (CNOP) propõe “mudanças em algumas disposições”, num documento
elaborado esta quinta-feira para ser entregue na Assembleia da República. Fernando Santo,
presidente do CNOP e bastonário da Ordem dos Engenheiros, não quis
adiantar para já o conteúdo do texto, mas disse ao Canal UP que o CNOP quer
“uma lei-quadro que regule de acordo com os princípios da independência das
associações públicas profissionais”. De acordo com o projecto aprovado em
plenário, o Governo passa a ter uma “tutela” sobre as normas de funcionamento
de cada associação profissional. Esta matéria suscita
divisões em vários sectores, especialmente em relação ao universo a que as
novas regras se aplicarão. O primeiro artigo do documento diz que a nova lei
não se aplica às Ordens existentes, afectando apenas as que sejam criadas no
futuro. De acordo com o Diário Económico, tanto o deputado social-democrata
Hugo Velosa como Vital Moreira
defendem que a nova lei se aplique a todas as associação de igual forma. “Duvido que
a futura Agência de Acreditação
consiga cortar a falta de qualidade" Fernando Santo
sublinha que as Ordens têm um “papel de certificação”, enquanto organismos
“criados por decisão da Assembleia da República para que reconheçam as
competências a um conjunto de pessoas que praticam actividades de interesse
público”. O bastonário dos
Engenheiros aponta as diferentes realidades por áreas de formação e dá o
exemplo de Medicina, que “não tem acreditação,
porque o Estado controlou o ensino em parceria com a Ordem dos Médicos. Não
há dúvida sobre a qualidade dos licenciados O ministro do Ensino
Superior, Mariano Gago, tinha já afirmado que a criação da Agência de
Avaliação e Acreditação
obrigaria as associações profissionais a reconhecer todos os cursos
autorizados pelo Governo. O representante das
Ordens profissionais concorda com o princípio – “se o Estado assumir o seu
papel até nos tira um peso de cima, em custos, em disponibilidade…” –, mas
duvida da sua aplicabilidade: “dada a forma como se deixou encher o copo, com
formações díspares, cursos de Engenharia sem Matemática, com o sistema
subvertido, duvido que a futura Agência da Acreditação
tenha capacidade para cortar a direito a falta de qualidade". As Ordens
profissionais, que foram recebidas em Julho pelo presidente da Assembleia da
República e por diferentes grupos parlamentares, deverão ser novamente
ouvidas entretanto. |