A rendição do
MEC
Mario
de Sousa Araujo Filho
29/09/2007
Sob o governo Lula, o MEC
parece ter se rendido às corporações profissionais. Estas,
deveriam cuidar do exercício profissional. Zelar pela qualidade do
ensino nas universidades deveria ser papel do MEC. No entanto, o MEC resolver
fazer "dobradinha" com a OAB para "vigiar e punir" os
cursos de Direito, correlacionando o ENADE e o Exame de Ordem.
Se a moda pega, imaginem
os cursos de Engenharia sendo "vigiados e punidos" pelo MEC-CONFEA.
Os cursos de Medicina pelo MEC-CFM, etc, etc.
A intenção pode até ser a
melhor possível. No entanto, qual o grau de confiabilidade desses exames da
OAB? Qualquer professor sabe que, dependendo do nível e qualidade das provas
aplicadas, é possível aprovar ou reprovar a maioria da turma. O Exame de Ordem
da OAB tem preferência por reprovar...
E, para não ser injusto
com o Exame de Ordem, qual o grau de confiabilidade do ENADE, que sequer tem
ainda uma série histórica de conceitos para definir quais os bons e os maus cursos?
O antigo Exame Nacional de Cursos, o Provão, para algumas carreiras, detinha
essa série histórica. Mas o governo Lula resolveu enterrá-lo, para alegria dos
cursos de baixa qualidade - majoritariamente privados, diga-se - o que não
significa que os cursos oferecidos pelas universidades públicas vão às mil
maravilhas.
Não é a primeira vez que o
MEC promete fechar cursos ruins, sem que até agora o tenha feito. No entanto, é
o Ministério que autoriza o funcionamento desses cursos. Enquanto não forem mudadas
as frouxas regras para essas autorizações e os próprios critérios das
avaliações "in loco" dos cursos (realizadas por comissões de
professores), tudo vai continuar como dantes no quartel d'Abrantes. Vão fingir que vigiam e não vão punir
nunca.
Pura pirotecnia...