A SUA SENHORIA
O SENHOR
DIRETOR DE REDAÇÃO DA
REVISTA
VEJA
SÃO PAULO-SP
OPINIÃO
A UNE está prostrada;
e a OAB na contramão da história
VASCO VASCONCELOS
Analista e Escritor
BRASÍLIA-DF C. I nº934.095 –SSP-DF TEL:
(061) - 96288173
Entre as entidades que lutaram com
pertinácia e denodo na redemocratização do nosso país, contra as
arbitrariedades do regime autoritário, destacam-se a velha UNE e a
egrégia OAB. Acontece que ambas as instituições viraram as costas para o
passado, e hoje atuam na contramão da história.
A UNE, com seus 72 anos de militância,
hoje se encontra prostrada; tanto é verdade que na pauta de
discussões do 51º Congresso da UNE (Conune), realizado nesta semana aqui em
Brasília, ficou de fora um dos temas que mais aterroriza os estudantes de
direito que é o pecaminoso, despótico, abusivo, restritivo, inconstitucional,
execrável, e famigerado Exame da OAB.
Ora, da mesma forma que os indígenas
não têm competência para instituir a SPI, Secretaria de Polícia Indígena, a OAB
não tem competência para avaliar os cursos superiores nem os bacharéis em
direito. Isso é uma afronta à CF.
Art. 5º inciso XIII da CF: "é
livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as
qualificações profissionais que a lei estabelecer".
Art. 205 CF. " A educação, direito de
todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a
colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Art. 43. da LDB - Lei 9.394/96 "a
educação superior tem por finalidade (.); inciso 2 - formar diplomados nas
diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores
profissionais. (Grifei).
O Exame da OAB não qualifica ninguém,
enriquece donos de cursinhos. Não
obstante, está jogando ao limbo cerca de 4 milhões de bacharéis em direito. Se
eu fosse o Presidente da República, (Lula), antecipava futura decisão do
egrégio STF, e daria um basta no corporativismo despótico, na reserva
imunda de mercado; extinguiria do nosso ordenamento jurídico o famigerado Exame
da OAB. O mercado saberá escolher os bons advogados e a OAB tem poderes para
advertir e até expulsar dos seus quadros os maus advogados, conforme dispõe o
art. 35 da Lei nº8.906/94 (Estatuto da OAB).
É inadmissível que uma instituição que
lutou contra as arbitrariedades da ditadura, hoje na contramão da história, se
limite a impedir que o bacharel em Direito, devidamente qualificado pela
universidade, reconhecida e fiscalizada pelo MEC, seja impedido de exercer a
sua profissão, por um órgão fiscalizador da profissão.
Um bom advogado se faz ao longo dos
anos de militância forense. O fato da proliferação de cursos jurídicos de baixa
qualidade não dá direito à egrégia OAB de usurpar atribuições do MEC. Vivemos
num país democrático, e a nossa Lei Maior tem que ser respeitada,
principalmente pelos órgãos guardiões da Constituição. Está provado que o exame
da OAB não qualifica ninguém. Está jogando ao limbo cerca de quatro milhões de
bacharéis em Direito.
No dizer de José Afonso Silva, atribuir
a qualquer dos poderes atribuições que a Constituição só outorga a outro
importará tendência a abolir o princípio da separação de poderes (in
Curso de Direito Constitucional Positivo 23 Ed. Malheiro SP, p 67). Essa
assertiva vai de encontro à exigência descabida da obrigatoriedade do
pecaminoso, inconstitucional, abusivo e famigerado exame da OAB, o qual rogo ao
nosso presidente Lula extirpar do nosso ordenamento jurídico, urgente. Segundo Edmund Burke:
"Quanto maior o poder mais perigoso é o abuso. "Para que o mal
triunfe, basta que os bons fiquem de braços cruzados".