A OAB E O RELATÓRIO DO CNJ
Carlos
Nina
Membro
do Instituto dos Advogados Brasileiros
22.03.2009
Mais uma vez dirigentes da OAB usam de descarado cinismo para atacar o Poder
Judiciário ao mesmo tempo em que procuram ocultar suas próprias mazelas. É
aquela velha história que não canso de repisar, para que não caia no
esquecimento: os atuais dirigentes da OAB e seus antecessores imediatos, tanto
no plano federal como no estadual, têm sido lépidos e fagueiros para criticar
autoridades públicas em desvios de conduta. Mas o fazem sem autoridade moral
para tanto porque silenciam quanto às mazelas dos dirigentes da própria OAB.
Há poucos dias a OAB distribuiu um de seus panfletos publicitários impressos às custas dos advogados nele encartando o Relatório do
Conselho Nacional de Justiça que trata de irregularidades no Poder Judiciário
do Maranhão. Contudo, a mesma OAB nunca deu uma nota sequer em qualquer de seus
veículos de propaganda sobre a fraude de meio milhão de reais cometida por alguns
de seus dirigentes atuais e anteriores, inclusive da Caixa de Assistência dos
Advogados do Maranhão.
O cinismo de incluir o encarte foi tão grande que não se incomodaram nem com a
assinatura e a foto do Ministro Gilson Dipp, que foi
o Relator do habeas-corpus com que a OAB queria impedir a apuração daquela
fraude. Disse o acórdão com base no voto do Ministro Dipp:
“II. Evidenciado que o inquérito policial, além do termo de transação, foi
instaurado com base em outros elementos de prova, inexistentes nos autos, não
há que se falar em ausência de justa causa para a investigação criminal, a qual
só pode ser obstada se constatada a flagrante e inequívoca atipicidade ou a
impossibilidade de ser o investigado o autor dos fatos, hipóteses não verificadas.
III. Somente após o correto procedimento inquisitorial, com a devida apuração
dos fatos e provas, é que se poderá averiguar, com certeza, a tipicidade, ou
não, da suposta falsificação de documento, praticada, em tese, pelos pacientes
– sendo certo que a tipificação pode ser alterada pelo Ministério Público, quando
do oferecimento de eventual denúncia. IV. A obstaculização
prematura da tramitação do inquérito, antes de se saber sobre a existência, ou
não, de indícios do cometimento de crimes, poderia resultar em prejuízo à
coletividade, maior interessada no deslinde da questão.”
Por que a OAB não critica o Ministério Público Federal e a Justiça Federal pela
morosidade no processo que deveria apurar essa fraude? Será que a OAB vai
criticar essas instituições pelo fato de que esse caso caminha para a
prescrição? Será que se um Relatório da CNJ mencionasse esse processo a OAB
teria tanto empenho em divulgá-lo?
Resta saber, também, se a OAB está repassando para a CAAMA o valor de seu
crédito e se esta continua pagando aluguéis indevidos e exorbitantes para OAB
com a finalidade de “aliviar” o débito da OAB para com a Caixa. Resta saber,
ainda, se os advogados querem saber disso, ou seja, do que é feito com o
dinheiro suado com que pagam as elevadas anuidades e outras tantas taxas
absurdas criadas para espoliar advogados e bacharéis em Direito, enquanto os
serviços em benefício dos advogados são inexistentes. O que a OAB tem feito
mesmo é propaganda, iludindo os advogados e os mantendo desinformados quanto às
irregularidades das entranhas da Instituição.
Este ano haverá eleições na OAB. No Maranhão os dirigentes da OAB gostaram da
tática usada para eleger o Governador recentemente cassado e já lançaram quatro
candidatos, que, como de hábito folclórico, se unirão às vésperas das eleições.
Independente e totalmente desvinculado dos usuários do prestígio e dos recursos
da OAB, o advogado Francisco José Ramos da Silva será a esperança daqueles que
continuam lutando para que a OAB volte a servir a todos os advogados e não
apenas àqueles que dela se apropriaram, na base da fraude e da corrupção. Para
tanto, dezenas de advogados têm-se reunido e, unanimemente, firmado documento
onde apelam para que Francisco Ramos aceite e assuma a liderança dessa luta. O
resultado dependerá da maioria dos advogados votantes: manter esse esquema
viciado que domina a OAB ou eleger quem esteja disposto a resgatar o respeito
às finalidades da Instituição.